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Muito criticada por setores do Ministério Público Federal e pelos lavajatistas que compõem a base de Jair Bolsonaro, a indicação de Augusto Aras para ...

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Muito criticada por setores do Ministério Público Federal e pelos lavajatistas que compõem a base de Jair Bolsonaro, a indicação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República foi bem digerida pelas cúpulas do Congresso e do Judiciário.

Nomes que torciam pela recondução de Raquel Dodge avaliaram que Aras está longe de ser, para eles, uma escolha ruim. Aliados do subprocurador já começam a traçar a rota da romaria pelo Senado: ele irá aos 81 gabinetes pedir votos.

Emoções vivi – Aras acompanhou os últimos lances de sua indicação em casa, acompanhado de cinco pessoas. Demonstrou mais alívio do que euforia ao receber o telefonema que sacramentou sua escolha. Ele conversou diretamente com o presidente por dias, mas só nesta quinta (5) teve certeza de que havia vencido.

Cansado de guerra – O caminho até o anúncio foi acidentado. Aras despontou na corrida para o posto sem participar da eleição interna do MPF, o que irritou a categoria e a Lava Jato, e foi bombardeado por bolsonaristas por ter tido boa relação com nomes da esquerda anos atrás. Nesta quinta (5), dizem amigos, parecia exausto.

Com cerimônia – A ordem dos aliados de Aras foi de discrição. O subprocurador quer passar mensagem de respeito ao rito e ao Senado, que precisa sacramentar a escolha de Bolsonaro em votação.

A bola é sua – Entre os integrantes do MPF que apoiam a lista tríplice o clima era realmente de funeral. Muitos nem sequer conseguiam dimensionar a reação da categoria. Procuradores dizem que quem vai ditar o volume da reação interna é o próprio Aras.

A bola é sua 2 – Se ele mantiver o tom que adotou na campanha, de críticas ao corporativismo, e ensaiar nomeações discricionárias para cargos hoje escolhidos após disputa interna, a tendência é a temperatura subir.

Figurinha carimbada – Aliados de Augusto Aras apostam que o futuro PGR promoverá Ailton Benedito, do MPF de Goiás, a cargo de confiança. O procurador bolsonarista ganhou notoriedade ao defender nas redes que o nazismo foi um movimento de esquerda, tese rechaçada por todos os historiadores sérios.

Não curti – O Planalto monitorou a reação da internet ao nome de Aras –e se surpreendeu com o volume das críticas.

Não passarão – Dos 19 vetos de Bolsonaro à lei que pune o abuso de autoridade, três, em especial, incomodaram o Congresso: os dos artigos 9º, 30º e 38º. O de número 43, que tira prerrogativas da advocacia, também não fez sucesso.

Não passarão 2 – A amplitude do gesto do presidente foi vista como quebra de acordo, e a ideia de líderes de partidos na Câmara é trabalhar pela derrubada global dos vetos, e não apenas pelos quatro itens que bateram quadrado no Legislativo. Bolsonaro, de início, havia sinalizado que só faria concessões às polícias.

Em mãos – O ex-presidente da ABDI, Guto Ferreira, afirma que entregará evidências de suas acusações contra o secretário especial do Ministério da Economia, Carlos da Costa, ao Ministério Público na segunda (9). Ferreira diz ter reunido, por meses, mensagens que mostrariam que o secretário tentou usar
indevidamente recursos do Sistema S.

RSVP – “As criaturas do pântano político que o ministro disse que vai perseguir estão mais perto do que ele imagina”, afirma Ferreira, usando expressão criada pelo próprio Guedes para criticar os governos do PT.

Dívida histórica – O relator da reforma da Previdência no Senado, Tasso Jereissati (PSDB-CE), decidiu retirar do texto proposta que previa cobrança de contribuição previdenciária de anistiados políticos. Os aliados do presidente chamam pejorativamente as indenizações de “bolsa-ditadura”.

Dívida histórica 2 – A cobrança de contribuição dos anistiados chegou ao Congresso pela equipe econômica do governo, mas Tasso considerou que se tratava de retaliação. Além disso, avaliou, isso poderia suscitar questionamentos jurídicos.

Dívida histórica 3 – “Nesta reforma, discutimos o futuro, não o passado”, escreveu o senador em seu relatório.

TIROTEIO

“A aparente predileção dele por ofender familiares dos que resistiram à ditadura está unindo os democratas do continente.”

Do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, após o ataque de Bolsonaro à ex-presidente do Chile, cujo pai foi assassinado no regime Pinochet.

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