Saber o que dizer, e quando dizer, é uma ferramenta importante, que pode beneficiar quem fala e quem ouve em diversas situações.
Entretanto, muitos não medem as palavras antes de pronunciá-las — um erro que, no mercado de trabalho, pode custar a tão sonhada promoção, e até mesmo o emprego.

A expressão “Eu odeio este trabalho”, por exemplo, é uma das piores. E o ambiente de trabalho é o último lugar em que uma frase desse tipo deveria ser dita.
“Na maioria das vezes, quem diz isso fala da boca para fora, e só está se sentindo cansado ou chateado por causa de uma situação específica.
Mas a primeira pessoa a ser cortada é aquela que demonstra insatisfação ao estar ali”, explicou a psicóloga Marcelle Paganini.
Um resultado semelhante pode surgir diante da frase “Essa não é minha função”, que indica que o profissional não demonstra flexibilidade diante de imprevistos.
“Ninguém é obrigado a fazer tudo sem questionar, mas, atualmente, é necessário ser multitarefas. Não se pode fazer apenas o mínimo”, frisou a diretora da Kato Consultoria e Treinamento, Roberta Kato.
Expressões que indicam insegurança, como “Vou tentar”, ou que prejudicam terceiros, como “Fulano é incompetente”, também precisam ser banidas do vocabulário.
A psicóloga Rubia Passamai Navarro, explicou que, dependendo de como a mensagem é transmitida, pode comprometer a performance da pessoa no ambiente trabalho, e impactar negativamente a imagem que os outros colaboradores têm dela.
“Uma comunicação ruim no local de trabalho prejudica a fluidez , abre brechas para erros e mal entendidos, impactando diretamente na execução de tarefas e projetos.”
A parapsicóloga, terapeuta e palestrante Edna Amaral reforçou que, frequentemente, as pessoas falam sem pensar e acreditam que não haverá consequências, pois foi a primeira vez que ocorreu.
“Foi a primeira vez para aquela pessoa, mas pode ter certeza que não é a primeira vez que o colega ou o chefe escuta aquilo.”
Recomendação é refletir antes de falar
A utilização de certas frases no ambiente de trabalho é, no mínimo, questionável, segundo a vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo (ABRH-ES), Neidy Christo.
“Muitas vezes as pessoas utilizam palavras negativas sem analisar que tipo de impressão podem causar. É o caso do ‘Vou tentar’, que, embora pareça comum, leva a crer que o profissional não está se empenhando o bastante para fazer o que é pedido.”
Ela e o diretor da ABRH-ES, Sidcley Gabriel da Silva, recomendam que o profissional reflita por um momento antes de dizer algo de que possa se arrepender. “O ideal é utilizar expressões positivas, e que mostrem que você também se preocupa com o que o outro tem a dizer.”
É preciso aprender a controlar as emoções

E essa mudança de comportamento, segundo especialistas, só poder ser alcançada educando-se emocionalmente.
“É preciso começar a ter um olhar diferenciado. Você deve ir se ajustando, pensando melhor antes de falar, se colocando no lugar do outro, pense sempre se você gostaria de trabalhar com uma pessoa que age como você. Vale também buscar a ajuda de um profissional para mudar esse comportamento e melhorar a comunicação verbal”, frisou a psicóloga Karla Cardozo.
Ao comunicar-se, é preferível a utilização de expressões positivas, que evidenciem compreensão e respeito, mesmo que não se concorde com a opinião manifestada pelo outro.
“É possível discordar de maneira mais elegante, dizendo ‘Eu entendo o que está dizendo, mas penso diferente’. Ou então, ao invés de dizer que fulano é um chato, dizer: ‘Entendo que ele seja rigoroso, mas penso diferente, e acho que de outra maneira o ambiente de trabalho pode ficar mais leve’. É uma questão de escolher as palavras”, salientou a psicóloga e diretora da PsicoStore, Martha Zouain.
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Para a psicóloga e professora da Faculdade Saberes, Claúdia Soares Della Fonte, não existem atalhos, e essa escolha precisa ser uma prática diária.
“É um aprendizado. Quando criança, tendemos a agir muito impulsivamente. Nossas emoções são expostas de imediato, mas faz parte do processo de amadurecimento ir identificando as emoções que surgem, mas canalizando-as de forma a expressá-las de forma mais controlada, inclusive no ambiente de trabalho, de forma que não atrapalhem nossa evolução.”



