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Fundação Renova terá novo presidente a partir de 2020

A Fundação Renova, entidade responsável pela reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de ...

Última atualização

A Fundação Renova, entidade responsável pela reparação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015, terá um novo presidente a partir de 2020. Trata-se do atual diretor Socioeconômico e Ambiental, André de Freitas. Ele assumirá o lugar do atual diretor-presidente Roberto Waack

André de Freitas é engenheiro florestal formado pela USP, com atuação à frente de organizações nacionais e internacionais, como Imaflora, Forest Stewardship Council e Sustainable Agriculture Network. Tem ampla experiência na criação de soluções, desenvolvimento de estratégias e alinhamento em ambientes complexos.

A mudança, que deve acontecer em janeiro de 2020, foi informada na tarde desta quarta-feira (20). De acordo com o comunicado, “Roberto Silva Waack, atual diretor-presidente da Fundação Renova, conclui seu ciclo na organização após mais de três anos à frente dos trabalhos de reparação da bacia do rio Doce”. 

Segundo a Fundação, o novo diretor-presidente assumirá com o compromisso de acelerar as medidas de reparação em andamento, especialmente em frentes como indenização e reassentamento.

Ainda de acordo com a entidade, “o modelo de governança adotado para a Fundação, com tomada de decisão compartilhada e participação de órgãos governamentais federais, de Minas Gerais e do Espírito Santo, continua avançando com a inclusão dos atingidos em todas as instâncias de decisão. A Fundação Renova se mantém comprometida com a reparação integral da bacia do rio Doce e tendo o diálogo como base de suas ações”.

Para comunicar a mudança, o atual diretor-presidente divulgou uma carta pública. Leia a íntegra abaixo.

“Carxs,

iniciamos, neste mês de novembro, o processo de transição na presidência da Fundação Renova. Trata-se de um movimento com conclusão prevista para o início de 2020, com a posse, no cargo, do atual diretor Socioeconômico e Ambiental, André de Freitas.

Caberá a ele conduzir os caminhos da Fundação Renova a partir do ano que vem, continuando e ajustando o trabalho realizado até aqui.

Os pouco mais de três anos em que ocupei a presidência aprofundaram algumas convicções que tenho desde o momento em que aceitei o desafio de liderar esse processo. São crenças que gostaria de compartilhar neste momento de transição.

A primeira é que a reparação da bacia do Rio Doce vai dar certo. O trabalho que está sendo feito é sólido e robusto, e é indiscutível a sua capacidade transformadora. Outra é que, apesar de críticas, o modelo de governança proposto pelo Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC) foi, e continua sendo, uma alternativa consistente para enfrentar uma tragédia de proporções inéditas no Brasil, envolvendo dois estados (Minas Gerais e Espírito Santo) e quase quatro dezenas de municípios. Há o argumento de que é um modelo complexo, com várias instâncias e, por isso, pouco eficiente. Mas não há dúvida de que a reparação integral do rio Doce e suas comunidades só será possível e sustentável com a participação da sociedade.

E a sociedade é complexa, ambígua, diversa, volátil. A governança da Fundação Renova reflete essa complexidade e a traz para dentro de seus programas e iniciativas, aproximando-os da realidade e, principalmente, dando a eles legitimidade. Ainda há muito o que fazer e não temos medo de reconhecer erros e corrigir rotas. Afinal, não havia soluções prontas, de prateleira, para uma tragédia como essa em nenhum lugar do mundo. Temos tido a coragem de buscar e testar processos, em um cenário de aprendizados contínuos.

Sim, o modelo tem grandes problemas de eficiência e está fortemente impactado por matizes ideológicas (legítimas), pelos vários desastres que acometeram o Rio Doce nos últimos séculos, por interesses das mais diversas naturezas, por uma longa história de abandono. Sua forma de operação precisa de ajustes urgentes, envolvendo esforço de todos os atores, com um olhar verdadeiro nos atingidos, na reparação integral e nos legados estruturantes. Um olhar mais sensível, menos dependente de racionalidades e tecnicidades inatingíveis, menos calcado em fundamentos jurídicos e em ambições de cunho ideológico. Mais pragmático, menos contaminado por manifestações de ódio. Mais construtivo.

Hoje, a Fundação mobiliza mais de 7 mil pessoas, ONGs, universidades, organizações externas, assessorias técnicas, especialistas e órgãos ligados ao poder público. Cumpre, assim, um papel de ajudar a conectar a sociedade ao rio Doce. De provocar. De encorajar pessoas a buscarem as melhores soluções. Essa mobilização tem um enorme poder de transformação. O engajamento da sociedade pelo rio Doce será um dos grandes legados da Fundação Renova, juntamente com programas estruturantes.

Mas todo esse processo só poderá ser minimamente completo quando o grande desafio das indenizações for superado, os reassentamentos entregues e o manejo do rejeito, com as implicações evidentes na qualidade da água, no solo e na biodiversidade, equacionado.

É tempo de focar nos resultados e de apresentar entregas. Ninguém melhor que o André de Freitas para cumprir mais essa etapa. Acreditem nisso! Ele precisará do apoio de todos vocês.

Não tenho palavras para agradecer a confiança de vocês nesses primeiros anos da Fundação Renova! O rio Doce, de uma maneira ou de outra, o fará por mim.

Um grande abraço,

Roberto Waack”.

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