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Quem tem medo de robô

Em recente entrevista, o presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, apresentou previsão de que “em cinco anos este mercado não vai conseguir ...

Carlos Augusto da Motta Leal, advogado especializado em Direito Imobiliário.

Última atualização

Em recente entrevista, o presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, apresentou previsão de que “em cinco anos este mercado não vai conseguir absorver todo mundo”.

A matéria citou, ainda, dados estatísticos do alto número de cursos de Direito, da elevada proporção de advogados por cidadão, das consequências da informatização dos processos e da implantação de sistemas específicos de atuação profissional, revelando ainda que escritórios de advocacia hoje conseguem atuar em diversas cidades, em maior número de processos e com menor número de advogados, utilizando-se de robôs.

Contudo, sempre há mais de uma forma de se enxergar os cenários. É clássica a história de dois vendedores de sapatos que chegaram a um país muito pobre em que a maioria da população não usava calçados. Um deles caiu em desespero pois entendeu que não havia mercado para trabalhar. O outro, com olhar completamente diferente, enxergou um mercado imenso à disposição: a maioria precisava comprar sapatos. Desnecessário dizer qual dos dois prosperou. 

O atual cenário brasileiro não é diferente, inclusive para a advocacia. Contra fatos e números não há argumentos, mas coragem, persistência, alta formação técnica e empreendedorismo geram oportunidades, sucesso, realização e felicidade. Na verdade, nunca foi fácil. Guardadas as proporções, nunca foi muito diferente.

Em cada época os obstáculos eram diversos, as ameaças distintas e as oportunidades igualmente diferentes, mas sempre houve um caminho árduo a se percorrer para se alcançar uma meta. E os que fizeram diferente, tiveram foco e destemor venceram. Nada substitui o talento, também já se disse. Principalmente na advocacia.

Um oceano de oportunidades se abre com a advocacia 4.0, com o atual estado político e institucional pelo qual atravessa o país, com os sintomas que a economia atualmente apresenta;  com as reformas constitucionais que o Governo Federal vem realizando e anuncia que realizará, com os novos segmentos da economia e muitos outros.

Robôs podem fazer petições repetitivas, a Inteligência Artificial  pode selecionar precedentes e sugerir caminhos, mas é o talento, a argúcia, a experiência do advogado e da advogada que dão à atuação o diferencial humano insuperável, a independência da pasteurização e da perigosa linha de produção, como se defesa de liberdades, de direitos, de interesses, fossem simples fábrica de réplicas. Robô não sente a angústia do cliente, não percebe a necessidade de combater injustiças, não sente nada; e advocacia sem emoção não é advocacia. 

Não condeno números nem dados, mas repudio pessimismo e conformismo. A advocacia precisa de relevância, de destaque, de lideranças construtivas, de capacidade de interação com economia, de empreendedorismo, de especialização, de atualização, de densidade científica e da percepção talentosa que só o ser humano é capaz de propiciar. 

Ao encontrar uma pedra na subida, ela pode ser um obstáculo ou um degrau. A escolha é de cada um.

Carlos Augusto da Motta Leal é advogado, especialista em Direito Civil, Direito Processual Civil, Imobiliário e Sucessório e professor de Direito Civil.

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