A forte chuva que atingiu o Estado durante duas semanas espalhou buracos por ruas e avenidas, trazendo prejuízo para uns e lucro para outros. Enquanto motoristas perdem pneus e rodas nas armadilhas da pista, oficinas estão ficando lotadas.
Em algumas, o aumento da procura fez o lucro suprir o prejuízo de ter ficado com as portas fechadas durante os alagamentos. Foi o que aconteceu em uma borracharia de Cobilândia, um dos bairros mais afetados de Vila Velha.
Como os carros não chegavam até a oficina por conta do alagamento na região, o serviço ficou paralisado por dez dias, reabrindo ontem, com mais clientes do que antes.
“Já estamos recuperando o que veio de prejuízo, pois aumenta muito a quantidade de serviço. A probabilidade de cortar um pneu ou amassar uma roda em época pós-chuva é muito maior”, ressaltou Bruno Hoffmann, um dos proprietários.
Perto dali, os buracos estão por todos os lados, seja em avenidas movimentadas, como Carlos Lindemberg, ou dentro dos bairros, onde a situação é ainda mais crítica. Foi passando na região que o administrador de empresas Marcos Gomes, 60 anos, perdeu dois pneus e acumulou um prejuízo que ultrapassa os R$ 700.
“Afetou os pneus dianteiros e a suspensão. Além da troca, precisei fazer o balanceamento, o alinhamento, ou seja, um gasto que não estava previsto”, lamentou.
Dono de uma borracharia em Jardim Marilândia, também em Vila Velha, Edvaldo Ferreira garante que o movimento cresceu 50%. “A água baixa e o movimento aumenta. Já supri o prejuízo de ter fechado por um dia, pois toda hora aparece carro com pneu cortado”, contou Ferreira.
O serviço, muitas vezes, é amplo e vai além da troca de pneu. O mais comum são pneus rasgados nos buracos, mas a suspensão também fica prejudicada e as rodas empenadas.
Os buracos se multiplicaram em toda a região metropolitana. Na capital, há buracos em locais, como Fernando Ferrari, avenida Vitória e Elias Miguel, na Vila Rubim. Em Cariacica, a BR-262 apresenta várias crateras, assim como ruas de Campo Grande e Jardim América. Já na Serra,
foram afetadas vias importantes como Norte Sul e Talma Rodrigues.
Prefeituras iniciam reparos
Diante do estrago causado pelas chuvas, as prefeituras da Grande Vitória garantiram que estão realizando operações tapa-buracos e reconstruindo o asfalto.
Na capital, a prefeitura informou que o serviço já começou e a recuperação vai acontecer em toda a cidade, começando pelas principais vias.
“O asfalto de Vitória é muito antigo, ele tem 20, 30, 40 anos, e recebeu um impacto muito forte, uma destruição muito grande. Isso abriu alguns buracos fundos, perigosos. O asfalto precisa ser recuperado numa operação muito maior do que o tapa-buracos tradicional”, afirmou o prefeito de Vitória, Luciano Rezende.
A prefeitura de Vila Velha informou, em nota, que duas equipes de operação tapa-buraco iniciaram os trabalhos. Foram feitas restaurações em avenidas como Carlos Lindenberg e Jerônimo Monteiro.
Em Cariacica, são quatro equipes de manutenção asfáltica trabalhando desde o último sábado, segundo a prefeitura. Já na Serra, a prefeitura ressaltou que o serviço de tapa-buracos é realizado de forma rotineira e a recomposição do asfalto ocorre diariamente.
“Os serviços já foram executados nas principais avenidas, como Norte Sul, Talma Rodrigues, Audifax Barcelos, Eudes Scherrer (Laranjeiras), Beira-mar (Jacaraípe) e na Colares Júnior (Vila Nova de Colares)”, disse a administração pública, em nota.

