
As exigências são novas, mas há escolas que já trabalham focadas em uma formação diferenciada, baseada no desenvolvimento de habilidades e competências.
A Escola Monteiro é um exemplo. “Completamos 50 anos em 2019, mas nossa essência é de uma formação voltada para a autonomia, para o pensamento crítico, para a criatividade e para a inovação”, afirma Eduardo Costa Gomes, diretor da escola.
Tanto que fazem parte do projeto pedagógico da escola iniciativas como aulas de robótica, empreendedorismo, educação financeira, teatro e ioga, além de um espaço maker, que oferece ao aluno a possibilidade de vivenciar a metodologia “mão na massa”, pensando, criando e construindo.
“Para o próximo ano, a proposta é ampliar o uso do espaço e da metodologia – que hoje é parte do currículo do ensino fundamental I – para toda a escola, abrangendo também o ensino fundamental II e o ensino médio. Eventualmente, os alunos do fundamental II e do ensino médio usam o espaço em projetos específicos, mas, a partir do ano que vem, será uma rotina para toda a escola”, diz.
Ferramentas
Para o diretor, as demandas de um “novo mundo” e, ao mesmo tempo, a nova Base Nacional Comum Curricular exigem atenção, inovação e movimento por parte das escolas. “A Monteiro já vem investindo em aulas fora de sala, com os alunos saindo da escola para explorar a cidade, e vamos continuar com esse investimento para que eles tenham um aprendizado mais completo e que faça sentido”, garante.
Para auxiliar na aprendizagem e na formação dos alunos, a Escola Monteiro investe, há alguns anos, em ferramentas digitais como iPads e Google Education, fazendo conexões com o conteúdo oferecido a seus estudantes. “Estamos investindo para que a equipe pedagógica tenha cada vez mais dados para análise, e isso faz com que a direção do projeto tenha um apontamento individual sobre o aluno. Quando falamos em Indústria 4.0 e o que ela faz, estamos nos referindo a isso. Ela trabalha com dados e faz com que os processos sejam mais assertivos”.
Sustentabilidade em ações

E é com esse foco que a Escola Monteiro tem desenvolvido projetos sustentáveis nas disciplinas de Ciências Naturais e Biologia, conforme destaca o diretor da instituição, Eduardo Costa Gomes.
“Tanto os alunos do ensino fundamental quanto os do ensino médio desenvolvem projetos de reaproveitamento da água que seria desperdiçada pelos aparelhos de ar-condicionado e bebedouros. Também criamos uma horta vertical com utilização das técnicas de compostagem do lixo orgânico da cantina e de meliponicultura, que é a criação de abelhas sem ferrão, já que entendemos a importância do animal, ameaçado de extinção, para a polinização e o equilíbrio ambiental”, salienta.
O diretor ressalta que os projetos já acontecem há alguns anos, porém, a escola tem ampliado o trabalho. “Por exemplo, a escola vai abolir o uso de copo descartável em toda a instituição. Todo mundo que entrar na escola não vai mais ver copos descartáveis”, diz.
Prevista para começar no ano que vem, uma das atividades que os alunos da Monteiro também vão poder desenvolver é a limpeza da Praia do Meio, na Enseada do Suá, em Vitória, bem próxima à escola. “Vamos realizar um trabalho de cuidado da vegetação de restinga e replantio, além da limpeza da praia”, afirma Eduardo.
De acordo com o diretor, a ação será para toda a escola, porém o projeto é voluntário. “Essas ações não são impostas, e sim voluntárias. Entendemos que ao determinar algo para ser feito, não obtemos o mesmo efeito de quando engajamos os alunos”, diz.
Recursos digitais ajudam na formação dos alunos

Na Escola Monteiro, segundo a professora de Cultura Digital e Robótica e coordenadora de TI, Graciela Schuwartz, o espaço maker tem ajudado na formação dos alunos a partir de projetos com apoio de recursos digitais e no desenvolvimento de competências socioemocionais e criativas.
“Este trabalho está ligado à Educação 4.0, pois busca preparar o aluno para a vida e para o mercado de trabalho, uma vez que, ao trabalhar em equipe, realizar e entender o porquê, o como e o para que fazer, as crianças ampliam o seu conhecimento de forma que o processo de ensino se torne contínuo e ativo, uma vez que eles aprendem fazendo”, explica.
De acordo com Graciela, para as atividades desenvolvidas no espaço, os alunos utilizam kits e aplicativos de programação, impressora 3D, cortadora de papel, kits de robótica, ferramentas de marcenaria, kits eletrônicos, aplicativos de elaboração de vídeos, e-books, entre outros.
“O objetivo é desenvolver a aprendizagem baseada em projetos interdisciplinares e na resolução de situações-problema, permitindo, muitas vezes, mostrar na prática os conteúdos estudados em sala de aula”, destaca a professora.
