
No entanto, ele defende que para que seja efetiva no seu propósito dentro da escola, a tecnologia tem de estar a favor do aprendizado do aluno, que seja usada como facilitador da democratização do ensino no Estado.
A Tribuna – A revolução tecnológica trouxe que tipo de mudanças para as escolas e dentro da sala de aula? O que hoje não pode faltar para os alunos?
Moacir Lellis – Não é mais possível fugir da tecnologia, nem nas escolas nem na sala de aula. Então o melhor a ser feito é aliar o uso da tecnologia com o aprendizado, utilizando-a, literalmente, a favor do desenvolvimento dos alunos. Então, acredito que a tecnologia tem que estar a favor do aprendizado dos nossos alunos. As escolas capixabas têm conseguido desempenhar esse papel com qualidade.
A tendência, daqui para frente, é que a tecnologia ajude a democratizar o ensino, já que existem ferramentas desde o ensino adaptativo até sistemas capazes de recomendar sites confiáveis em determinadas áreas e identificar dificuldades e falhas nos desempenhos de cada aluno individualmente.
A Tribuna – Neste cenário de mudanças, quais os desafios que a Educação 4.0 traz para as escolas?
Moacir Lellis – A inteligência artificial já é parte do nosso dia a dia nas escolas e segue mudando a rotina das salas de aula no Brasil e no mundo. De computadores, tablets e celulares a softwares inovadores que facilitam o aprendizado dos alunos e o ensino dos professores, a tecnologia está fazendo parte da sala de aula e através delas é possível motivar crianças e adolescentes, ter uma visão macro do desempenho e dificuldades de cada um e apoiá-los individualmente.
A Tribuna – Como os gestores, professores e instituições do Estado estão se atualizando em relação a todas essas mudanças?
Moacir Lellis – Desde quando a inteligência artificial começou a entrar no dia a dia das escolas e salas de aula, um dos nossos principais desafios era a capacitação de professores e profissionais para utilizarem as tecnologias da forma mais proveitosa possível para o desenvolvimento dos alunos. Nunca consideramos fugir das tecnologias, pois isso é cada vez mais impossível na nossa realidade.
Através de cursos, workshops e capacitações temos alcançado excelentes resultados, mas acredito que esse é um processo que deva começar desde a formação de professores – já que eles passam a assumir agora um papel de mediadores e não mais de detentores únicos da informação em sala de aula.
A Tribuna – O Espírito Santo é exemplo em educação no Brasil. Como as escolas particulares têm contribuído para esse cenário?
Moacir Lellis – O Sinepe-ES tem, ao longo desses anos, incentivado a aproximação das escolas e, com isso, promovendo uma qualificação dos seus gestores e colaboradores, o que potencializa o desenvolvimento de boas práticas, formações de profissionais e a troca de experiências. Além disso, observamos que as escolas capixabas, têm buscado a reflexão sobre seu trabalho para constantes melhorias trazidas por aperfeiçoamento nas práticas pedagógicas.
A Tribuna – O que podemos esperar das escolas particulares do Estado em 2020?
Moacir Lellis – Podemos dizer que as instituições particulares de ensino do Espírito Santo estão fazendo o dever de casa quando o assunto é atualização, modernização e investimento em tecnologia em sala de aula.
Recentemente, realizamos a nona edição do nosso Congresso das Escolas Particulares, com o tema Educação 4.0, palestras enriquecedoras e participação massiva dos gestores, diretores e representantes das escolas capixabas. Além disso, estamos em viagem para o Canadá com a nossa Missão Educacional – onde o principal objetivo é ver de perto o que as escolas estão fazendo para viabilizar algumas ações nas escolas capixabas.
Gestores foram ao Canadá conhecer novos métodos

Vinte gestores de escolas particulares do Estado foram ao país para conhecer métodos de ensino. Foram 15 dias de viagens pelas cidades de Montreal e Toronto.
“A viagem foi uma imersão a um ambiente onde o pragmatismo reina e funciona. Foi uma enxurrada de exemplo”, refletiu o diretor da Creche Uirandê e da Escola Monteiro, Eduardo Costa Gomes.
Segundo o diretor da Maple Bear de Cachoeiro de Itapemirim, Fábio Rabbi Bortolini, um dos elementos para os bons resultados é a participação da família e da sociedade. “A cultura de uma educação que vai além dos limites da escola me encantou. Há uma participação impressionante dos alunos, pais e sociedade nas decisões, com orgulho e sentimento de pertencimento”.
A diretora do Colégio Santa Catarina, Maria Aparecida Sartori Cordeiro, destaca os projetos voltados ao meio ambiente, além do trabalho de educação continuada e avaliação dos educadores. “Há intensos projetos voltados ao meio ambiente, que proporcionam um exercício à cidadania. Outro ponto importantíssimo é o currículo de graduação e acompanhamento dos professores. Os educadores são avaliados a cada dois anos com provas escritas e por meio de relatórios emitidos pelos diretores”.