O Google removeu de sua loja on-line sete aplicativos espiões que funcionavam de forma ilegal. Os apps foram desenvolvidos para receber informações sobre todas as atividades realizadas no aparelho das vítimas. A descoberta foi feita por pesquisadores da Avast, um software de antivírus.
De acordo com o relatório da Avast, mais de 130 mil pessoas instalaram os aplicativos, que teriam sido projetados por um desenvolvedor russo.
Para acessar às informações, era preciso que o espião instalasse os programas nos celulares das vítimas. Após isso ser feito, ele recebia informações como as mensagens do WhatsApp, além de lista de contatos, SMS, histórico de chamadas e rastreamento da localização.
Na loja, os aplicativos prometiam monitorar o trabalho dos funcionários para evitar perda de rendimento e controlar o acesso de crianças para protegê-las dos perigos. Foram removidos os seguintes aplicativos: Track Employees Check Work Phone Online Spy Free, Spy Kids Tracker, Phone Cell Tracker, Mobile Tracking, Spy Tracker, SMS Tracker e Employee Work Spy.
Aplicativo para espíonar parceiros

“Esse tipo de utilização tem sido constante. Alguns acabam constatando a infidelidade, outros não, mas muitos não se dão conta de que isso é um comportamento criminoso”, destacou o especialista em tecnologia da informação, Eduardo Pinheiro.
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A maioria dos aplicativos disponíveis no mercado é legalizada, já que a finalidade é o monitoramento do celular dos filhos menores de idade. “Só que, quando você instala no aparelho de um adulto, não existe amparo legal, é crime”, ressaltou Pinheiro.
A prática pode ser enquadrada no artigo 154 A do Código Penal, que fala em “violação de dispositivo informático”. A lei é válida desde 2012 e foi apelidada “Carolina Dieckmann”, em alusão à atriz que teve seu celular invadido e fotos íntimas divulgadas. A pena de prisão varia entre três meses e um ano.
Alguns aplicativos são gratuitos e outros pagos. Há, também, aqueles que a pessoa espionada sequer sabe da existência, já que ele permanece no celular sem nenhum ícone, como se fosse “fantasma”.
Quanto mais sofisticado o aplicativo, melhor a funcionalidade. Alguns enviam relatórios diários para o e-mail da pessoa que instalou, com registro dos sites acessados e o conteúdo das conversas pelo WhatsApp, por exemplo.
Para instalar o aplicativo no celular do parceiro, muitos tentam burlar a própria lei, que impede esse tipo de prática. “Houve um caso em que o homem comprou e presenteou a namorada com um celular. Antes de entregar, ele instalou o aplicativo. Como a nota fiscal estava no nome dele, era como se o aparelho fosse dele, o que em tese pode”, disse Pinheiro.
Neste caso, a vítima só teve respaldo na área cível, garantindo a indenização.
