Depois de chegarem ao fundo do poço, ex-viciados que moravam nas ruas têm travado uma batalha para vencer o vício das drogas, principalmente o crack. Mais de 280 já conseguiram dar a volta por cima na Grande Vitória, mergulhando nos estudos e até mesmo conseguindo o tão sonhado emprego.
Juntos há 14 anos, Alamo Tel Brastes Santos, 42 anos, e Miriã Amaro da Silva, 32, conversaram com a reportagem. Eles ainda não têm uma casa e dormem na Hospedagem Noturna, no centro de Vitória. O serviço é oferecido pela prefeitura.
O casal perdeu tudo, mas é na fé em Deus e no estudo que eles têm encontrado força para lutar e realizar o sonho de cursarem uma faculdade e construir uma nova vida. Para isso, já deram o primeiro passo. Miriã cursa o segundo período de técnico de Segurança do Trabalho no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e Alamo está debruçado nos livros para fazer um curso de Turismo ou Hotelaria e, na sequência, uma faculdade.
Os dois frequentam diariamente o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (Caps AD), na capital. No Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População de Rua (Centro-Pop), eles retomaram os estudos na EJA e, na Escola da Vida, fizeram cursos profissionalizantes.
Os dois se conheceram em Minas Gerais, moraram em São Paulo e mudaram para o Estado. Na capital, viveram dois anos nas ruas. “Chegamos às ruas por causa da dependência química, que é uma doença”, disse Miriã.
Já Alamo se emocionou ao descrever a experiência de quem morou nas ruas: “Estar em situação de rua é muito triste e humilhante. Mas foi em meio ao sofrimento que enxergamos uma esperança, mas estamos escrevendo um novo capítulo, pois sonho que sonha junto se transforma em realidade.”
Um outro casal, que prefere não se identificar, também está lutando por dias melhores. Quem contou foi uma auxiliar de serviços gerais, 42, que está em busca de um emprego. Seu companheiro, 41, que conheceu nas ruas, conseguiu emprego em agosto.
Eles fazem parte de uma estatística de 56 pessoas que foram assistidas pelo município de Vila Velha e participaram de oficinas.
Já na Serra, no primeiro semestre, 168 pessoas em situação de rua foram encaminhadas ao trabalho.

