Emocionada ao lembrar do dia que precisou entregar a filha de 19 anos no 29º Distrito Policial de Jacaraípe, na Serra, uma instrumentadora veterinária de 37 anos disse para a reportagem de A Tribuna que fez isso por amor, com medo de ver a filha morta, já que ela tem envolvimento com o tráfico de drogas.
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Na condição de não ser identificada, a mãe da jovem – que mora em um bairro da Serra – contou ainda que a filha já usou uma faca para tentar matá-la.
A TRIBUNA – Por que a senhora decidiu entregar sua própria filha à polícia?
Mãe – Porque ela se transformou em outra pessoa depois que se envolveu com as drogas. Se tornou agressiva e já tentou até me dar uma facada no peito.
Há quanto tempo ela se envolveu com as drogas?
Há um ano, quando se tornou maior de idade. Desde os 15 anos ela dizia que, quando completasse 18, ninguém iria segurá-la. Foi o que ela fez.
Como ela age no dia a dia?
Hoje sou mãe de uma jovem de 19 anos que está envolvida no tráfico de drogas. Tive de buscá-la dentro de uma boca de fumo, por não querer ela envolvida no crime. Já recebi ligação de traficante dizendo que, se ela voltasse para o bairro onde morava, seria morta.
Além disso, minha filha está grávida de três meses de um bandido, que não trabalha e ainda por cima bebe.

Eu passo uma luta com minha filha já há alguns meses. Recentemente, coisa de meses, eu fui até a casa dela e fiz de tudo para que ela saísse dessa vida. Falei até de levá-la para fora do País, mas ela não quis. Acabamos discutindo e ela tentou me matar apontando uma faca para o meu peito.
Então eu tive que pegar minha filha e entregá-la para a polícia. Fui lá na casa onde ela morava, peguei a droga que era dela e entreguei na delegacia.
Se arrependeu de ter feito isso?
Não. Se eu não tivesse feito isso, hoje ela não estaria viva. Eu tive que entregar. Fiz isso por amor. Inclusive, paguei advogado para mantê-la presa. Consegui segurar ela três meses e 17 dias. Acabei evitando de pagar a fiança.
Como se sentiu tendo que entregar sua filha à polícia?
Uma mãe jamais quer isso para um filho ( choro). Meu coração ficou e ainda está apertado. Hoje, ela está respondendo o processo em liberdade, mas continua se drogando. Eu juro que já fiz de tudo por aquela menina.
A senhora acredita que ela se envolveu com o tráfico por rebeldia?
Não sei. Quando eu me separei do pai dela, que é um policial civil, ela tinha seis meses. Eu precisei morar nove anos na Alemanha e deixei ela com minha mãe. Fui para lá só para juntar dinheiro para ela, pensando nela, mas quando voltei ela estava revoltada comigo.
