- Vitória, ES 28°C

Vitória 28°C

Anúncio
Polícia

Violência na saúde: Médicos têm medo de um acerto de contas

Invasões para resgate de criminosos e acerto de contas entre traficantes rivais estão entre os principais medos que médicos e outros profissionais da ...

Técnico em enfermagem contou que, durante a greve da PM, era comum traficantes invadirem hospitais

Última atualização

Técnico em enfermagem contou que, durante a greve da PM, era comum traficantes invadirem hospitais (Foto: Fábio Nunes / AT)

Invasões para resgate de criminosos e acerto de contas entre traficantes rivais estão entre os principais medos que médicos e outros profissionais da área da saúde enfrentam no dia a dia para trabalhar.

“Se eles (criminosos) quiserem voltar para terminar o serviço, eles vão voltar. E quem estiver na frente estará correndo risco”, afirmou um médico de 44 anos, que pediu para não ter o nome divulgado.

Um clínico geral de 39 anos disse que sempre pergunta aos pacientes que chegam baleados à emergência se existe o risco de a pessoa que atirou ir atrás deles. “É a primeira coisa que eu pergunto a um baleado: ‘Tem chance de voltar para terminar o serviço?’. Se a resposta for positiva, a gente fica em alerta”.

O médico, que não quer se identificar, revelou que, em casos de pacientes baleados, ele também pede que os seguranças fiquem em todas as entradas do pronto atendimento onde trabalha. “Os seguranças são armados e eu peço que eles cubram todas as entradas, pois corre o risco de alguém invadir. É um procedimento que adoto.”

Ele citou o caso de um paciente que foi assassinado dentro de uma ambulância. “Ele estava sendo transferido para o hospital. Os bandidos pararam a ambulância e o mataram”.

No dia 4 de junho de 2018, um criminoso invadiu uma unidade de saúde, no bairro Jaburuna, em Vila Velha, para um acerto de contas. Ao entrar no posto, o bandido viu o rival e atirou. Os dois entraram em luta corporal e o alvo, que não foi atingido, conseguiu tomar a arma do criminoso. Ele atirou e o bandido que invadiu foi atingido.

O cirurgião vascular Leonardo Lessa Arantes, presidente da Associação Médica do Espírito Santo (Ames), destacou que, em casos de risco, é importante que o atendimento seja feito com rapidez e eficiência, para cessar a ameaça.

“Sofremos pressão quando há a possibilidade de tentativa de resgate ou de o grupo rival ir terminar o serviço. A gente busca resolver o problema do paciente o mais rápido possível para cessar aquela ameaça”, disse o médico.

Um técnico em enfermagem de 32 anos, que não quis se identificar, destacou que, durante a greve da PM, em fevereiro de 2017, era comum traficantes invadirem hospitais para matar rivais internados.

“Eles sabiam que não tinha polícia e entravam armados, procurando os rivais. Não conseguiam encontrar, porque o hospital é grande e eles queriam agir rápido. Para os funcionários, restava o medo de levar bala perdida e pedir a Deus que nada de ruim acontecesse.”

Leia Mais: Médicos são ameaçados de morte por não conseguir salvar traficantes

Leia Mais: Violência na saúde: “Já deixei de trabalhar por medo”, diz clínico geral

Leia Mais: Criminoso pediu atestado para entregar ao dono da boca de fumo, diz médico

Pedidos por mais segurança

Entre os diversos pedidos dos médicos para melhorar a segurança em unidades de saúde, pronto atendimentos e hospitais, estão aumento do número de vigilantes armados, reforço em portões e maior controle de identificação de quem entra e sai dos espaços.

Por nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que os hospitais da rede estadual contam com serviço de vigilância e que, em caso de qualquer tipo de violência, os médicos devem acionar a polícia e fazer o registro de um Boletim de Ocorrência em uma delegacia. A Sesa esclareceu que não há registros de reclamações em relação à violência por parte dos funcionários.

A Secretaria de Saúde de Vila Velha informou que, em situações pontuais, a Guarda Municipal e as polícias Civil e Militar são acionadas. Também ressaltou que está fazendo investimentos segurança nas unidades de saúde.

Já a Secretaria de Saúde da Serra informou, por nota, que atua na solução dos fatores que podem levar ao estresse durante o atendimento. Destacou que as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) contam com vigilância armada e que há vigilantes nas unidades de saúde dos locais mais vulneráveis.

A Secretaria de Saúde de Vitória explicou que todas as unidades contam com segurança patrimonial 24 horas e com o apoio da Guarda Municipal. Também são organizados processos de trabalho de maneira a proporcionar segurança às equipes de saúde.

O município de Cariacica está em processo de contratação de porteiros para as unidades de saúde. O serviço vai possibilitar um controle mais efetivo do acesso às unidades, segundo a Secretaria de Saúde.
 

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.