A violência que os médicos e outros profissionais da área de saúde vivem no dia a dia não se limita ao medo de tiroteios e invasões aos hospitais e postos de saúde. Muitos deles precisam entregar atestados médicos a criminosos.
Um médico de 39 anos, que atua em unidades de saúde da Grande Vitória e não quis se identificar, afirmou que já se deparou com traficante armado pedindo atestado para entregar ao dono da boca de fumo onde trabalhava.
“Ele chegou e eu fui atendê-lo. Ele falou ‘doutor, não se assusta não, porque eu estou armado. Mas a arma está me incomodando e eu vou colocar na mesa’. Eu comecei o atendimento. Ele falou que trabalhava para um traficante e que estava escalado para enrolar drogas no dia anterior, mas acabou indo a uma festa.”
O criminoso não foi trabalhar. “Ele disse que, como não foi ajudar com as drogas, precisava de um atestado. Caso contrário, ele teria problemas com o chefe da boca. Durante toda essa conversa a arma estava em cima da mesa. Não tinha como não dar o atestado, ele não ameaçou, mas intimidou”.
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