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Violência na saúde: “Já deixei de trabalhar por medo”, diz clínico geral

Um clínico geral de 39 anos, que atua em unidades de saúde da Grande Vitória e não quis se identificar, conversou com a reportagem de A Tribuna e ...

"Quando é bandido, ele é colocado como prioridade, para não ficar muito no local, pois corre o risco de alguém ir atrás dele ou dele encontrar algum rival”, afirmou um médico que pediu para não ser identificado

Última atualização

Um clínico geral de 39 anos, que atua em unidades de saúde da Grande Vitória e não quis se identificar, conversou com a reportagem de A Tribuna e revelou que é comum se deparar com pacientes armados.

Profissionais de saúde conversaram com a reportagem de A Tribuna e contaram que, por não conseguirem salvar a vida de criminosos que chegam baleados às emergências de hospitais da Grande Vitória, eles sofrem represálias e ameaças de morte de cúmplices dos bandidos. Há relato de profissional que precisou ser escoltado pela Polícia Militar, após a morte de traficante na sala de cirurgia.

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O médito relatou a conduta quando criminosos chegam à emergência baleados.

A Tribuna – Como funciona a relação entre médico e pacientes que são criminosos?
Clínico geral – Quando chega à emergência, ele é só um paciente e a gente tem de salvar a vida dele. Não somos julgadores e sempre fazemos de tudo para salvar uma vida. Mas, muitas vezes, a gente se depara com a violência.
Esses dias, chegou um paciente que tinha levado dois tiros, fizemos tudo para salvá-lo. Ele resistiu e foi transferido para um hospital.
Quando ele saiu, nós descobrimos que ele era um estuprador. Ainda me falaram: “Cuidado, você o salvou e alguém pode querer descontar no senhor”.

Qual é o clima nas emergências dos hospitais quando criminosos chegam baleados?
É um caos. A gente não sabe se ele é a vítima, se é quem atacou, se quem atacou vai voltar para terminar o serviço. Eu peço aos seguranças para vigiarem todas as portas da unidade. Já aciono a Polícia Militar para acompanhar e escoltar e também o Samu, para que o paciente seja transferido para um hospital.
Fica um clima tenso entre os profissionais, até porque quem atirou pode querer voltar para terminar o serviço.

Quais cuidados o senhor toma para atender pacientes que chegam baleados?
Saber o que é. Se foi um assalto, se foi retaliação, se foi briga de gangue, se tem a chance de a pessoa voltar para terminar o serviço. A gente identifica a causa para ter um pouco mais de segurança, mas a gente sempre faz o melhor para tentar salvar o paciente.

Já atendeu pacientes que estavam carregando arma?
Isso é muito comum. Em unidade de saúde de bairro, todo mundo já sabe quem é bandido e quem não é. Quando é bandido, ele é colocado como prioridade, para não ficar muito no local, pois corre o risco de alguém ir atrás dele ou dele encontrar algum rival que também foi se consultar.
A arma fica na cintura, na hora de fazer o exame, eles avisam que estão armados, tiram e colocam na mesa.

Já deixou de trabalhar por insegurança?
Uma vez tive de dar um atestado médico a um traficante e não quis mais voltar. Deixei de trabalhar nessa unidade por medo. Mas, com o tempo, a gente vê que é comum e aprende a aceitar as situações. Com certeza, precisamos de mais investimentos na segurança.

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