Escondidos atrás de uma tela de celular ou de um computador, cerca de 30 pedófilos que agem na internet foram denunciados à polícia este ano e estão na mira de investigação.
O titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade de Souza Silva, afirmou que o número de casos este ano deve ser ainda maior, pois estima-se que apenas 50% dos crimes cometidos em ambientes virtuais são comunicados à polícia.
“Geralmente, o que vemos são pedófilos que se utilizam das redes sociais ou aplicativos de mensagens para se aproximar de crianças e adolescentes. Para isso, eles se passam por crianças, utilizando fotos falsas, ou por personagens ou artistas”.
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Segundo o delegado, essas artimanhas usadas pelos criminosos têm o objetivo de atrair as vítimas e fazer com que elas confiem neles.
“Como a criança não tem esse discernimento, acredita que esteja falando com alguém da sua idade. Dessa forma, enviam vídeos de cunho sexual ou mesmo pedem fotos e vídeos a essas crianças, que podem ser usadas contra elas depois. Também há casos que agem fazendo perguntas ou elaborando histórias que levem a esse conteúdo sexual”.
Ele ressaltou que, na maioria dos casos que chegam à polícia, as vítimas são meninas, a partir dos 9 anos, mas há casos de meninos.
Já o pedófilo que age pela internet pode ser de outros estados, o que não impede as investigações.
A orientação, segundo o delegado, é que os pais tenham bom senso na hora de entregar o celular aos filhos e fiscalizem sempre. “Ao entregar um celular, os pais devem analisar a necessidade de o filho ter em mãos uma rede social ou aplicativo de mensagens. Também devem ter um diálogo aberto sobre os benefícios e perigos daquele aparelho e precisam se interessar pelo que os filhos estão fazendo no mundo virtual”.
O delegado ainda frisou a necessidade de fiscalização. “Muitos pais estão mais conectados que as crianças. A partir do momento que os pais estão no celular deles, os filhos navegam sem monitoramento nenhum, ficando suscetíveis a serem alvos desse tipo de crime. Os pais não devem ter medo de serem ‘chatos’ de fiscalizar os aparelhos. É dever deles e está na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente”.