
No caso do CPF, na perda de documentos ou ao fazer compras pela internet, bandidos se apropriam dos dados da vítima, que só fica ciente quando a cobrança chega. Já nos golpes com boletos, dados do Conselho Consultivo da Associação dos Representantes de Bancos do Estado (Arbes) revelam que são pelo menos mil vítimas por mês.
“Pessoas mal intencionadas emitem boletos e enviam por e-mail ou correspondência. Muita gente paga sem perceber”, explicou Jorge Eloy Domingues, presidente do Conselho Consultivo da Arbes.
Ele alertou que os boletos falsos costumam ter valores mais baixos, a partir de R$ 12 e geralmente abaixo de R$ 500, em nome de associações, federações, supostos sindicatos ou instituições filantrópicas: “Como todo boleto é registrado, esses golpistas criam associações ou empresas simuladas, emitem o documento e enviam a muitas pessoas. Vai no ‘se colar, colou’.”
Já na Polícia Civil, segundo o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, delegado Brenno Andrade de Souza Silva, os casos que chegam são de boletos falsos com valores mais altos, em média de R$ 30 mil a R$ 60 mil.
“Geralmente, as pessoas recebem um boleto por e-mail, mas estão com o computador infectado com um malware (vírus). Quando abrem, esse vírus modifica a numeração do boleto”, contou ele, ao dizer que ainda há casos de e-mails falsos enviados a vítimas com promessas de produtos mais baratos.
Um caso investigado pela delegada Rhaiana Bremenkamp, titular da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), é de um empresário que pagou um boleto em torno de R$ 250 mil. Segundo ela, a cobrança foi enviada por e-mail em abril.
Ao contactar a fornecedora do produto que adquiriu, ele soube que o valor não havia sido creditado. Não é descartada a conivência de empregados da empresa em questão.
