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Nando Reis mais romântico na nova turnê “Esse amor sem preconceito”

Canções, imagens, histórias deliciosas, registros de uma vida. Da família, das férias, da casa. De casamentos, separações, tudo com o mesmo amor. O ...

Nando Reis está com nova turnê

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Novo show de Nando Reis conta com músicas de Roberto Carlos (Foto: Jorge Bispo / Divulgação)Canções, imagens, histórias deliciosas, registros de uma vida. Da família, das férias, da casa. De casamentos, separações, tudo com o mesmo amor. O amor é detalhado por ele há anos. E o amor, para ele, é Vânia. “Ela é a matriz do amor, de fato”, confirma Nando Reis.

Agora o amor contado e cantado por Nando vem também nos versos de Roberto Carlos. “Não sou Nenhum Roberto, Mas Às Vezes Chego Perto”, novo disco do paulista de 56 anos, deu origem ao show “Esse Amor Sem Preconceito”, que chega à Vitória no próximo sábado. Nele, Nando mistura canções do Rei com a sua própria obra, que ganhou, segundo ele, “Robertices”. Ou ainda uma dose extra de romance.

Acostumado a se revelar na arte, recheada de letras na primeira pessoa do singular, Nando vem ampliando essa intimidade em seu canal na internet, clipes e nas conversas, como a que teve com o AT2, por telefone esta semana.

“É um paradoxo. As redes sociais são lugares que levam todo mundo a se esconder. Você não está ali, não há presença. E eu acho que não existe como você ser universal sem ser extremamente íntimo e pessoal, porque, se há alguma coisa que é comum a todos os seres humanos, é essa gama de sentimentos”, justifica o marido de Vânia e pai de Theodoro, Sophia, Sebastião, Zoé e Ismael.

Nando Reis estará com nova turnê em Vitória (Foto: Jorge Bispo / Divulgação)

Veja abaixo a entrevista exclusiva

AT2 – Canta todas as músicas do disco no show? Deveria, ele é maravilhoso!
Nando Reis – (Risos) Que legal! O disco todo não. Mas, acho que das 12 canções, eu toque oito ou sete. Sete com certeza. E ainda mais duas que não estão no disco. É porque o show é justamente a relação entre as músicas do disco e do repertório do Roberto, com o meu próprio repertório. Então é um roteiro bastante pensado e encadeado nas relações que se dão. Às vezes de maneira subjetiva, por temas, por intenção, por acaso, enfim… Essa é a ideia do show.
O show contextualiza um pouco o disco, dando sentido a ele dentro da minha carreira. Porque eu não queria que ficasse uma coisa “Nando canta Roberto”. Ficaria uma coisa pobre. Não é o que eu queria e não é o que eu estou fazendo. Mas há muito Roberto no show e acho que o Roberto até empresta às minhas músicas uma certa Robertice. Então espero que você, que é doida pelo disco, também fique doida pelo show. (Risos)

Há muitos fãs seus por aqui, muitos estão confirmando a ida no show. Como é essa relacao com eles?
Bom, eu fico feliz e eu percebo isso que você está relatando quando me apresento em Vitória, ou em Guarapari. Eu tenho feito shows seguidamente aí, fui como o voz e violão eu vejo que há esse interesse pelo meu trabalho e essa manifestação genuína de apreço e as pessoas comparecem. E não tem nada mais legal para o artista do que perceber isso. É isso que movimenta tudo. Essa comunicação, essa afinidade, dão sentido às coisas que você publica ou canta. E a presença de todos em um mesmo momento, essa coisa meio catárstica que é o show, depende disso, da comunicação. Então, quando tem uma cidade com um público que tem essa relacao com o meu trabalho, eu só posso dizer que isso me deixa feliz.

O show é “Amor sem Preconceito” e o disco é recheado de canções que falam de amor. Queria falar de amor ou queria as canções de Roberto. O que veio antes?
Acho que as coisas todas caminham juntas. Isso na realidade já é um coisa minha antes mesmo desse disco. Escrever é o meu trabalho. Mas, de alguma maneira quando se junta Roberto a isso que eu venho fazendo, se torna quase que uma reiteração de algo. Eu acho que para cada um de nós o amor tem uma conotação, porque essa ideia do amor é bastante ampla, não se restringe à condição humana. Acho que o meu interesse pelo amor nesse momento, se a gente pegar a frase do título do show, que é uma espécie de conceito, é algo muito presente e muito preemente. Pois a ideia de amor sem preconceito, tanto para as relações binárias quanto para as relações sociais, é importante na discussão atual, nesse momento em que a sociedade está cingida, com uma marcha muito acirrada para o cerceamento de liberdades, para restrições, para retrocessos. Por isso essa frase, que é de 1971, parece ainda super atual.
Há um sentido associado a questão da liberdade, que extravassa as relações pessoais e a relação com o mundo. O mundo está ameaçado. Nós temos um presidente e um Ministro do Meio Ambiente que estão muito firmes nas questões ambientais de uma maneira que eu diria irresponsável. Se levar em última análise, toda essa minha preocupação está expressa no que estou cantando, mas ela vem muito antes disso. É um posicionamento meu, mas reafirmado em letras garrafais nesse momento, neste disco.

As suas músicas, a sua arte, são muito pessoais. Nas palavras de Roberto, você também soa pessoal. Como isso aconteceu? Sempre houve essa sinergia?
Ela foi evidenciada porque se expressou musicalmente para os outros. Uma coisa é o meu apreço e a minha relação com o que eu ouço, enquanto ouço. Outra coisa é quando gravo e lanço. O trabalho em si, especialmente a parte musical, após a seleção das canções, quando busquei os arrajos para cada música, nessa busca, a preocupação era a pessoalidade. Eu sabia que, para cantar bem essas músicas, eu precisava ter reconhecida a minha musicalidade, fazer com que elas se confundissem, poderiam ser canções minhas. É disso que se trata ser intérprete. O próprio Roberto Carlos, quando eu fui ouvir seus discos, ouvi muitas músicas que o Roberto canta de outros autores. E que parecem ter sido feitas por ele. A apropriação dele, a maneira como ele canta, como ele imprime verdade e legitimidade às canções, é algo da pessoalidade do artista. É a minha maneira também. Para mim, o que define a qualidade de um artista é isso. É a sua originalidade, a sua marca, o seu estilo, a sua maneira única de dizer aquilo.

Nando Reis (Foto: Jorge Bispo / Divulgação)Os clipes que você lançou têm imagens muito íntimas, registros da sua vida em família. No seu canal, contando casos, você também é muito pessoal. Como é isso de ser íntimo virtualmente?
É curioso. Boa pergunta. É um paradoxo. A vida anda em outro sentido hoje. As redes sociais parecem ser lugares que levam todo mundo a se esconder, facilitam uma certa irresponsabilidade na manifestação de sua colocação. Você não está ali, não há presença. Enfim, é curioso, eu nunca tinha pensado sobre isso.
Mas a minha maneira de usar esses veículos, incluindo o Youtube, tem sido para ter esse contato, essa proximidade. No caso dos vídeos, você tem razão, é a primeira vez que eu abri os meus arquivos pessoais. São registros da minha intimidade, do meu lar, da minha família, da minha vida. Não foi exatamente por um conceito, sabe? Foi ocasional. Com os vídeos, em que conto sobre as minhas músicas, também passa uma experiência pessoal, porque é um olhar extremamente pessoal sobre as canções, como elas foram concebidas. Acho que tudo isso é uma reiteração.
A forma como tenho abordado esses veículos é algo que está presente na minha própria música. Eu posso olhar para trás e ver que 90%, ou talvez mais, das músicas que eu escrevi estão na primeira pessoa do singular. Foram vivenciadas por mim. Eu acho que não existe como você ser universal sem ser extremamente íntimo e pessoal, porque, se há alguma coisa que é comum a todos os seres humanos, é essa gama de sentimentos. Cada um tem sua história particular e nenhuma história de um se sobrepõe à do outro. Então, só resta falar da sua história. Naturalmente quem ouve projetará ou se identificará como se fosse a sua própria.
A rede social pode ser o lugar de maior publicação da sua intimidade com a maior artificialização da sua pessoa, que é o que acontece, o que a maioria das pessoas fazem. É incômodo porque as pessoas intensificaram falar somente para quem agrada. Isso é esquisito. Aí nós temos um presidente que governa para quem tem o mesmo discurso que o seu. E não é só esse governo, aqui. Isso é algo da ordem mundial. Sei lá. Estou viajando aqui. (Risos) Mas eu acho que a graça de ter canal, ou o que dá sentido a ele, é a pessoalidade. Se fosse para ser algo institucional, não interessaria a ninguém.

Conta histórias com um nível de detalhes incrível. Lembra até a data de seu primeiro beijo em Vânia. Lembra de tudo mesmo?
Eu tenho uma memória meio assombrosa. Ela é muito boa para algumas coisas e ela é péssima para outras. Óbvio que tudo o que é dito no presente é meio recontado. Não existe como reproduzir algo que foi a 40 anos atrás. Mesmo com essa toda riqueza de detalhes, eu posso ter fantasiado. Mas é assim que eu me lembro. E eu lembro de tudo aquilo mesmo. Mas devo ter esquecido um monte de coisas e depois lembrei de algumas que não estão lá. (Risos)

Ainda escreve em cadernos? Guarda todos eles?
Eu guardei muita coisa. Para mim, que escrevo, o processo de construção de uma canção é tão saboroso quanto o resultado final. Isso me interessa. Claro que o propósito é chegar em uma resolução que é a música ou o poema.
Hoje escrevo também no computador, no celular, mas ainda escrevo muito a mão também. Isso é para não perder coisas importantes. Às vezes eu substituo uma palavra e eu não posso perder a anterior. Então o papel, para o meu processo de trabalho, é essencial. E, nesse sentido, eu sou até bastante organizado. Lamento as coisas que eu não encontro mais, que eu perdi, mas tenho bastante coisa. Tenho uma quantidade enorme de coisas que são inéditas ou que não levaram a lugar nenhum. Tudo isso para mim é bonito e o que eu procuro é justamente a beleza.

Valoriza também o que não virou música? Tem coisas que jamais vão virar?
A gente nunca sabe o que vai virar música. Só sabe depois que virou. Mas, claro, nem tudo o que eu escrevi tem qualidade. Eu sou um cara interessado no processo. Tenho um carinho pelas coisas que não viraram nada porque é através delas que você chega naquilo que quer. Da mesma forma, eu gosto das canções que não fizeram sucesso, ficaram obscuras. Embora o meu trabalho é a busca da melhor solução, eu dou muito valor àquilo que não chegou, ou às músicas que ficaram ruins. Tenho um certo carinho por elas.

Já falou muito sobre amor e desde “Back in Vânia” você tem soado mais esperançoso. É uma impressão correta?
(Risos) Eu acho que eu sempre fui bastante esperançoso. Engraçado porque é um outro paradoxo. Entre coisas, momentos atuais, de tanto desalento, situações nada auspiciosas. Mas há o movimento contrário. Há a relação que me dá conforto, a minha relação familiar, a minha relacao com Vânia, as coisas onde eu mais me apego como esperança, como modelo, para aquilo que eu defendo. Acho que eu sou um sujeito esperançoso, mesmo diante das condições mais desalentadoras.
Mas acho que o que você diz é se isso está relacionado a um momento mais organizado ou estável ou prazeroso da minha vida. E a resposta é sem dúvida nenhuma. (Pausa) Eu atravessei mares, montanhas e desertos para chegar aqui. Todos nós passamos por isso, não é um privilégio meu. Mas eu posso olhar para trás e falar “puta que pariu, custou”. Isso me dá um senso de valor muito grande nas coisas conquistadas.
Por isso uma coisa que eu acredito, que eu tento pelo menos quando estamos fazendo os vídeos, é fazer de coração aberto. Acho isso uma coisa importante. É quase uma licença, uma prova, de que é possível ser assim. E essa é uma autorização importante, se permitir estar com o coração aberto. Voltando às redes sociais, há uma movimentação contrária, a você se fechar, querer que tudo se feche às coisas que são diferentes. Cada vez que eu sento para falar nos vídeos, estou falando das coisas que eu acredito, que eu acho legais, que não necessariamente são felizes, mas que são verdadeiras. Eu não tenho uma pauta exatamente, eu falo da maneira que eu encontro, é o meu modo.

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