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“Criatividade é o melhor estímulo para os alunos”

A relação entre ensino e tecnologia vem tornando mudanças na forma de educar cada vez mais urgentes. Para o engenheiro e palestrante em Educação ...

Márcio Okabe apresenta palestra em Vitória em agosto sobre o uso da tecnologia no processo de aprendizagem

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A relação entre ensino e tecnologia vem tornando mudanças na forma de educar cada vez mais urgentes. Para o engenheiro e palestrante em Educação Márcio Okabe, nesse cenário, a aprendizagem criativa é o melhor estímulo para o sucesso dos alunos.

Ele explicou que, antes de querer levar as novas tecnologias para a sala de aula, é preciso que as escolas, assim como seus profissionais, repensem seu papel, buscando engajar os alunos, que, segundo Márcio, aprendem melhor “fazendo”.
Márcio Okabe apresenta palestra em Vitória em agosto sobre o uso da tecnologia no processo de aprendizagem (Foto: Divulgação)“O professor que meramente produz e dita determinado conteúdo está ultrapassado. É preciso inspirar os alunos a serem criativos. Dê um tema e proponha que o aluno aprenda; apresente um problema e peça soluções”, provocou.

O aluno conectado e ansioso por aprender e o professor que precisa realizar mudanças no modo de ensinar são o cerne da palestra “A tecnologia na educação: vilã ou heroína”, que Márcio Okabe vai apresentar em agosto, no 9º Congresso Educacional das Escolas Particulares do Espírito Santo, promovido pelo Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Estado (Sinepe).

Em entrevista exclusiva ao jornal A Tribuna, Márcio destacou algumas das mudanças pelas quais a educação precisa passar para cativar os alunos, como tornar a aprendizagem significativa, e qual o papel da família nesta nova realidade.

A Tribuna – Em suas palestras, você costuma brincar com a ideia de que o professor é 1.0 e aluno é 3.0. Pode esclarecer?
Márcio Okabe – Em termos de tecnologia, o 1.0 está ultrapassado, já o 3.0 é a versão mais recente, mais atualizada. O caso é que, muitas vezes, o professor está ali em frente à lousa discursando sobre uma coisa que o aluno não tem interesse e acaba tendo de perseguir a atenção do aluno.

Talvez seja esse o cerne da questão: o professor que produz e dita conteúdo está ultrapassado. Hoje, se você sugere um tema e diz que o aluno pesquise, em meia hora ele vai ter visto muito mais detalhes sobre aquele assunto. Às vezes, vai achar informações que nem mesmo o professor conhecia.

A tendência é que você proponha um tema e discuta com o aluno, que você proponha um desafio e acompanhe. Não fale apenas: hoje vamos aprender sobre a história da China. Peça que criem um jogo relacionado ao tema. O aluno vai precisar entender os conceitos para elaborar o jogo e, desse jeito, vai aprender.

A Tribuna – Isso também vale para crianças?
Márcio Okabe – As crianças mais novas ainda não têm uma capacidade de pesquisa muito boa, mas utilizam a tecnologia para outros fins, como ouvir música ou brincar com um jogo educacional.

Então, ainda é possível aproveitar esses novos recursos para tornar a aula mais interessante e engajar mais os alunos.

A Tribuna – A chave é tornar a aula mais divertida com o auxílio da tecnologia?
Márcio Okabe – O melhor estímulo para o aluno é quando se cria um ambiente em que ele possa colocar seu talento para fora, em que possa buscar projetos com significado pessoal e colocar seu talento em ação. A tecnologia, qualquer que seja ela, vai ser um meio para facilitar isso.

Eu mesmo saí de uma carreira de 21 anos no marketing digital para focar na educação e na produção de origamis, sendo que isso é algo que aprendi aos 6 anos de idade, com a minha mãe. As escolas precisam inspirar os alunos a explorar sua criatividade.

A Tribuna – Hoje, é possível dissociar o ensino da tecnologia?
Márcio Okabe – Vale lembrar que tecnologia não é só programação, robótica e eletrônica, mas, falando desse viés da tecnologia, é quase impossível dissociar as duas coisas. Isso porque a maioria dos empregos que estão surgindo e vão surgir estão ligados à tecnologia, e muitas vagas que não estão ocupadas no mercado são na área da tecnologia.

Mesmo que lá na frente, esses alunos venham a se tornar médicos e advogados, por exemplo, precisam aprender os conceitos básicos, pois vão utilizar aquela lógica aplicada às tecnologias para resolver problemas em qualquer área.

A Tribuna – Existe a ideia de que, se você entregar um celular ou um computador a uma criança ou um adolescente, ele vai logo entrar nas redes sociais. Ainda assim, acredita que os alunos estão dispostos a utilizar a tecnologia em prol do aprendizado?
Márcio Okabe – Existe uma premissa por parte dos adultos, segundo a qual, se colocarmos essas ferramentas na mão do aluno, ele não vai querer utilizar para aprender. Mas a verdade é que o jovem sempre quer aprender. Ele só vai migrar para a rede social se a aula está chata.

Se eu tenho uma sala de aula em que todos se sentam em fileira, em que os alunos não interagem, em que eu digo que podem trazer o celular, mas só podem pesquisar se eu mandar, eles vão migrar para a rede social assim que conseguirem.

A Tribuna – Esse modelo deixou de ser funcional?
Márcio Okabe – Se você não mudar a própria escola, a própria sala de aula, você não vai conseguir engajar o aluno. A tecnologia, por si só, não vai resolver esse tipo de problema. É necessário um ambiente adequado para desenvolver.

A Tribuna – E como fica o papel do professor nesse cenário?
Márcio Okabe – O papel do professor é propor desafios que tenham o equilíbrio de provocar o suficiente para engajar o aluno e, ao mesmo tempo, trazer uma temática importante para aquela faixa etária. O professor precisa navegar entre esses dois mundos e ser criativo. Criatividade é o melhor estímulo para os alunos.

Além disso, é preciso repensar o modelo de ensino das disciplinas. As pessoas não aprendem em caixinhas. É preciso trabalhar a multidisciplinaridade.

A Tribuna – Mas só o professor precisa mudar ou todo o sistema?
Márcio Okabe – O ideal seria mudar tudo. Mas, mesmo que o sistema não mude, toda escola tem autonomia, todo professor tem autonomia para ensinar na sala de aula. O desafio é mudar aquela ideia engessada de que “aqui é assim mesmo e não dá para fazer diferente”, porque dá. Fazer diferente e possível e necessário. Esse apego ao que já está vigente é uma barreira que precisa ser superada, se queremos fazer bom uso das novas tecnologias.

A Tribuna – E qual o papel da família nesse processo?
Márcio Okabe –  Em qualquer cenário, seja quais forem as tecnologias, os pais precisam se envolver mais, colaborar com as atividades dos filhos. Os pais precisam se envolver mais. A família não deve pensar que, quanto mais cara a escola, menor pode ser a preocupação com a educação do filho.

Precisamos criar uma comunidade de convivência em que as escolas sejam mais receptivas aos pais, e os pais sejam mais receptivos a se envolverem com a educação.


PERFIL

Márcio Okabe
Idade: 50 anos
Mora em São Paulo.
Formou-se em Engenharia Elétrica, mas se especializou em Marketing Digital e em temas voltados para a educação, além de ter feito cursos de Master em PNL, Investigação Apreciativa, Leader Training, Psicologia Positiva e Lego Serious Play.
Atualmente, é palestrante em Educação e Neuromarketing e professor de origami.

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