- Vitória, ES 28°C

Vitória 28°C

Anúncio
Cidades

Primeiro paciente que voltou a ouvir agora é engenheiro

Imagine a emoção de ouvir o som de sua própria voz, da pessoa que ama, da natureza – tudo pela primeira vez –, e por meio disso, conseguir alcançar ...

Kaitto recebe o carinho do irmão, Matheus, de 9 anos, e da mãe, Andréia Cristina: emoção para a família toda

Última atualização

Kaitto recebe o carinho do  irmão, Matheus, de 9 anos, e da mãe, Andréia Cristina: emoção para a família toda (Foto: Thiago Coutinho/AT)Imagine a emoção de ouvir o som de sua própria voz, da pessoa que ama, da natureza – tudo pela primeira vez –, e por meio disso, conseguir alcançar seus sonhos. É o sinal de uma mudança de vida para quem possui deficiência auditiva.

A história do engenheiro civil Kaitto Corrêa Fraga, hoje com 24 anos, é exatamente assim. A Tribuna chegou a acompanhar a sua história, em maio de 2014. Ele nasceu surdo e usava o aparelho tradicional.

Em 2007, Kaitto, então com 12 anos, foi a primeira pessoa do Estado a se submeter a um implante coclear, que consiste num dispositivo para restaurar a função da audição. “Nunca me importei com a minha deficiência, e consegui me superar. Mas foi um milagre de Deus”, disse.

Em 2014, ele operou o segundo ouvido e, desde então, leva uma vida normal e já se formou na universidade. “É uma felicidade que não cabe no peito, pois consegui realizar meu sonho e o dos meus pais, de me verem formado e ter meu curso superior”.

O engenheiro explicou que, apesar do equipamento, ainda não consegue ouvir claramente, mas se sente vitorioso por trabalhar na área em que estudou.

Kaitto se surpreendeu dia após dia com a percepção dos primeiros sons, no momento em que o aparelho foi acionado. Uma emoção não só para ele, mas para toda a família, que mora na Serra.

“Sabemos que ele escolheu uma faculdade difícil. Mas nunca tive problemas com ele nos estudos, pois sempre teve muita responsabilidade”, comemorou a empresária Andréia Cristina Corrêa, 52, mãe de Kaitto e de Matheus, de 9 anos.

CIRURGIA

Os otorrinolaringologistas Antonio Fernando Nogueira Maciel e Giulliano Enrico Ruschi e Luchi, com outros médicos, criaram o grupo Ouvir, com o objetivo de trazer mais vida aos deficientes auditivos.

A partir desse programa, eles foram os primeiros médicos a realizarem o implante coclear no Estado, em 2007. De lá para cá, foram mais de 100 cirurgias no Espírito Santo para trazer a audição de volta.

Os implantes funcionam, segundo Antonio, em danos auditivos mais severos. “O aparelho possibilita enviar as informações sonoras diretamente ao nervo auditivo, como sinais elétricos, e recriar as sensações sonoras”, relatou

 (Ilustração: Andre Félix)


“O som que mais gostei foi o das ondas quebrando” – Kaitto Corrêa

A Tribuna – Como era a sua vida antes do implante?
Kaitto Corrêa – Não correspondia aos sons agudos, como o mar, assobios, chuva, e tinha muita dificuldade de acompanhar as conversas. Não reconhecia as vozes dos meus pais. Era uma sensação de não ouvir o mundo, um silêncio absoluto. Parecia que estava dormindo.

A Tribuna – Como foi a emoção do dia de ter voltado a ouvir, há 12 anos?
Kaitto Corrêa – Lembro perfeitamente que mamãe abriu a torneira para lavar as louças e, naquele instante, tomei um grande susto, pois não conhecia o som da água descendo pela torneira. Foi aí que me emocionei.

O som que mais gostei foi o barulho das ondas quebrando. Além disso, antes não reconhecia as vozes dos meus pais.

A Tribuna – O que mudou?
Kaitto Corrêa – Antes, as pessoas tinham que me tocar para me chamar. Hoje, consigo responder quando as pessoas me chamam pelo nome. Sou outra pessoa e não tenho medo mais.

A Tribuna –  Você se sente vitorioso?
Kaitto Corrêa – A minha autoestima melhorou, sou uma pessoa realizada e feliz.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.