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40 mil têm depressão que remédio não resolve, dizem médicos

Um a cada cinco pacientes com depressão não consegue tratar a doença com medicamentos. De acordo com especialistas, a condição é chamada de depressão ...

Analista de atendimento, de 26 anos, sofre de depressão há três anos e, durante o tratamento, precisou fazer ajustes na medicação duas vezes

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Analista de atendimento, de  26 anos, sofre de depressão há três anos e, durante o tratamento, precisou fazer ajustes na medicação duas vezes (Foto: Dayana Souza/AT)

Um a cada cinco pacientes com depressão não consegue tratar a doença com medicamentos. De acordo com especialistas, a condição é chamada de depressão refratária e estima-se que cerca de 40 mil capixabas sofram com o problema.

Segundo o psiquiatra Fernando Furieri, a depressão refratária ocorre quando o paciente, após ter feito tratamento com, pelo menos, dois medicamentos de classes diferentes, usados em dose eficaz, por tempo adequado e associados à psicoterapia, não vê melhora no quadro depressivo.

“Essa resistência pode ter origem genética ou em causas externas, como fatores estressantes e problemas de ordem pessoal. Em outros casos, a neuroquímica do cérebro do paciente simplesmente não combina com a do remédio, por isso não há resposta”, explicou.

O psiquiatra Vicente Ramatis afirmou que o uso de álcool e outras drogas também pode comprometer o tratamento.

“Se essas drogas e outros fatores externos forem retirados, o paciente fizer tratamento com dois medicamentos combinados e, ainda assim, não houver melhora do quadro, é sinal de alerta”, disse.

De acordo com os especialistas, nos casos da depressão refratária, a medicação pode até diminuir os sintomas mas não resolve totalmente o problema.

“A resposta aos medicamentos é uma questão inerente à própria pessoa. A depressão é uma doença crônica, podem ocorrer recaídas, que dificultam as respostas terapêuticas”, afirmou o psiquiatra Valdir Campos.

Além dos medicamentos, o médico indica a psicoterapia. “A depressão é uma doença tratável, tem bons resultados e existem várias estratégias de tratamento, principalmente, a psicoterapia”.

Geralmente, os medicamentos começam a fazer efeito entre quatro e seis semanas após o início do tratamento.

Quando os medicamentos e a psicoterapia não são suficientes, os especialistas indicam terapias alternativas, como estimulação magnética transcraniana e a eletroconvulsoterapia.

“A eletroconvulsoterapia melhora o quadro de depressão refratária em 70% dos casos”, afirmou Valdir.

Analista de atendimento fez tratamento com medicação e terapia (Foto: Dayana Souza/AT)

“Fiquei triste por muito tempo”

Uma analista de atendimento de 26 anos contou que sempre foi uma pessoa feliz e de bem com a vida, até que a depressão se tornou seu pesadelo, sem causas aparentes.

“Em 2016, eu comecei a me sentir diferente, ficava triste por muito tempo. Em 2018, comecei ter pensamento suicida. Foi quando procurei ajuda”.

Ela fez tratamento com medicação e terapia e chegou a ficar seis dias internada na ala psiquiátrica de um hospital. “Ajustei a medicação duas vezes. Já tive nojo de tomar os remédios, por causa dos efeitos. Hoje estou melhor. Os remédios e a terapia estão me libertando”.

Estimulação com choques é alternativa de tratamento

Os casos de depressão refratária, que ocorre quando a medicação e a psicoterapia não funcionam, podem ser tratados com terapias alternativas, como a eletroconvulsoterapia e a estimulação magnética transcraniana.

De acordo com o psiquiatra Fernando Furieri, a eletroconvulsoterapia não causa dores ao paciente e é eficiente.

“O paciente fica sedado, em ambiente de CTI (Centro de Terapia Intensiva), com anestesiologista. Uma corrente elétrica passa pelo cérebro e gera uma crise convulsiva, que o paciente não percebe. O resultado é como se tivesse acontecido um ‘reset’, como em um computador”.

A eletroconvulsoterapia não causa amnésia, nem sequelas. O tratamento completo é feito com 12 a 20 aplicações.

“Nas primeiras semanas, o paciente pode ter uma amnésia de memória recente, que é reversível. Depois de três meses, a memória está totalmente recuperada. Para o paciente ter alguma sequela, seriam necessárias mais de 300 aplicações, o que não é o caso”, afirmou o psiquiatra Valdir Campos.

A estimulação magnética transcraniana, de acordo com o psiquiatra Vicente Ramatis, também pode oferecer melhora significativa. “Porém essa técnica não substitui o medicamento como a eletroconvulsoterapia”.

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Eletroconvulsoterapia com anestesia

– Utilizada quando o medicamento e a psicoterapia não fazem efeito no tratamento da depressão.

– A resposta clínica costuma ser positiva em 70% a 80% dos casos.

– Geralmente, são necessárias de 12 a 20 aplicações. A maioria dos pacientes já responde bem com seis aplicações.

– O paciente recebe anestesia geral e relaxante muscular e a frequência cardíaca é monitorada, assim como as ondas cerebrais. É feita em ambiente de Centro de Terapia Intensiva (CTI).

– A carga elétrica é monitorada de acordo com o limite do paciente.

– Nas primeiras semanas, o paciente pode ter amnésia de memória recente, que é reversível.

– Contraindicada para pacientes cardíacos e com problemas cerebrais, como aneurisma e acidente vascular cerebral (AVC) recente. Cada caso deve ser avaliado.

Estimulação magnética transcraniana

– É feita com pulsos magnéticos.

– O Paciente fica acordado e não precisa de anestesia.

– Há resposta positiva em 40% a 70% dos casos.

– São ncessárias de 10 a 20 sessões e nem sempre o tratamento substitui a medicação.

Fontes: Médicos consultados.

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O que é a depressão?

A depressão é uma doença psiquiátrica grave que apresenta sintomas recorrentes de tristeza profunda, baixa autoestima e prostração.

Quais são os sintomas?

– Humor depressivo, com tristeza que se prolonga por muito tempo.

– Falta de energia, cansaço excessivo, falta de concentração, perda de memória.

– Alterações no sono (insônia ou sonolência excessiva).

– Alterações no apetite (falta de fome ou ingestão de comida em excesso).

– Redução do interesse sexual.

– Podem ocorrer sintomas físicos, como queixas digestivas, dor no peito, taquicardia e sudorese.

Quais são as causas?

Genéticas: a pessoa que tem algum familiar próximo com depressão tem até 40% mais chances de desenvolver a doença.

Bioquímica cerebral: queda da liberação dos neurotransmissores noradrenalina, serotonina e dopamina, que estão envolvidos na regulação da atividade motora, do apetite, do sono e do humor.

Fatores externos: ambiente estressante e episódio marcante, como a morte de um familiar ou trauma, podem levar à depressão.

O que é depressão refratária?

Ocorre quando o paciente, após ter feito tratamento com, pelo menos, dois medicamentos de classes diferentes, usados em dose eficaz, por tempo adequado e associados a psicoterapia, não vê melhora no quadro depressivo.

Fontes: Médicos consultados.

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