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Cantora revela cirurgia que melhorou sua vida sexual

Wanessa Camargo tratou a endometriose com uma cirurgia feita por vídeo. Doença afeta 10% das mulheres em idade reprodutiva

Wanessa Camargo explicou que conseguiu engravidar do primeiro filho um ano após a cirurgia

Última atualização



A cantora Wanessa Camargo, de 41 anos, revelou que passou por uma cirurgia para tratar a endometriose – doença inflamatória provocada por células do endométrio fora da cavidade uterina – que não só permitiu que ela ficasse grávida, como também melhorou sua vida sexual, já que ela parou de sentir dores.

A revelação aconteceu durante uma conversa no “BBB 24” com outras participantes. Wanessa lembrou que um ano após a cirurgia conseguiu engravidar do seu primeiro filho, José Marcus.

Médicos ouvidos pela reportagem explicam que o procedimento é feito por laparoscopia, não sendo indicado para todos os casos.

A vice-presidente da Associação de Ginecologistas e Obstetras do Espírito Santo (Sogoes), Karin Rossi, explicou que, de forma geral, o tratamento da endometriose é clínico. “Ele inclui, por exemplo, a suspensão da menstruação com medicamentos hormonais e uma alimentação adequada, pobre em substâncias inflamatórias, como glúten, lactose e carne vermelha”.

Segundo a médica, a cirurgia para endometriose é indicada em alguns casos. Um deles é quando a paciente tenta engravidar e não consegue. “Também é indicada para quem tem dor intratável ou nos casos em que há comprometimento do intestino, da bexiga ou do aparelho urinário (estreitamento do ureter)”.

A médica pontuou que a cirurgia ainda é o recurso para o paciente que tem endometriose do diafragma ou do apêndice.

A ginecologista Thaissa Tinoco explica que a cirurgia de endometriose é sempre feita por laparoscopia. “Não se trata a endometriose com a corte na barriga, aquele tipo cesariana. É sempre pela via minimamente invasiva, porque conseguimos enxergar melhor, por via laparoscópica (cirurgia por vídeo), as lesões de endometriose”.

Além da opção de laparoscopia, há também a cirurgia assistida por robótica, permitindo uma visão tridimensional. “A robótica é uma evolução da cirurgia laparoscópica convencional”, destaca.

O tratamento da doença, conforme o ginecologista Ronney Guimarães pontua, pode envolver ainda fisioterapia pélvica, atividade física, dieta anti-inflamatória. “Essa paciente precisa ser tratada em um contexto geral, principalmente, com mudanças do estilo de vida”.

Sobre os sintomas, o médico faz um alerta: “A dor intensa não é normal e precisa ser investigada, principalmente se ela alterar a qualidade de vida da paciente”.

Saiba mais

Endometriose

A endometriose é uma doença inflamatória, benigna e progressiva, que acomete 10% das mulheres em idade reprodutiva.

A doença é provocada por células do endométrio – tecido que reveste a camada interna do útero – que são expelidas durante a menstruação e também se movimentam no sentido oposto, caindo na cavidade abdominal. Lá, voltam a se multiplicar e causam inflamação.

A doença é frequente no período reprodutivo, desde a adolescência até a transição para a menopausa.

Sintomas

Cólica durante o período menstrual que pode incapacitar as mulheres de exercerem suas atividades habituais.

Dor durante as relações sexuais, dor e sangramento ao urinar e evacuar, especialmente durante a menstruação.

Fadiga, diarreia, dificuldade de engravidar. A infertilidade está presente em parte das mulheres com endometriose.

Diagnóstico

Clínico, pelo histórico queixas da paciente e exame físico, e por meio de exames de imagem – ultrassonografia endovaginal, com preparo intestinal, e por ressonância magnética da pelve.

Tratamento

Mulheres mais jovens podem utilizar medicamentos que suspendem a menstruação. O tratamento clínico inclui mudanças na alimentação e associação com atividade física.

Casos em que há indicação da cirurgia

Quando a paciente tem dificuldade de engravidar. Quando a dor não tem melhora, mesmo com tratamento.

Quando há comprometimento no intestino, bexiga ou aparelho urinário.

Endometriose do diafragma ou do apêndice.

Fonte: Especialistas consultados.



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