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Economia

57% das mulheres deixam o emprego para empreender

Pesquisa aponta que a maioria delas trabalhava de carteira assinada no ES antes de investir no próprio negócio

A administradora Jessyca Guasti fazia doces por hobby. Paralelamente trabalhava como assistente administrativo e foi no trabalho que surgiu uma encomenda. Durante a pandemia, ela engravidou. Foi aí que ela abrir mão do emprego para cuidar da filha. Ela então pediu demissão, continuou com as encomendas e meses depois abriu uma loja física. Atualmente, ela consegue administrar melhor o próprio tempo e se dedicar mais a minha família, mas destacou que embora as responsabilidades sejam maiores e os rendimentos são incertos.

Última atualização



A maioria das mulheres empreendedoras no Espírito Santo (57%) trabalhavam de carteira assinada antes de abrir o próprio negócio, conforme apontou uma pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-ES).

Para o estudo foram entrevistadas 534 mulheres de 48 municípios do Estado, por meio de questionários on-line, de novembro do ano passado ao início de fevereiro deste ano. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de 4,2%.

Um total de 53,9% delas, segundo a pesquisa, são Microempreendedoras Individuais (MEIs), 21,91% têm microempresas ou empresas de pequeno porte e 22,6% operam na informalidade. Mais de 48% são responsáveis pela maior parte da renda familiar e mais de 23% criam empregos diretos.

A coordenadora estadual do Sebrae Delas, Andrea Gama, destacou que com seus negócios essas mulheres não só impactam a renda da própria família, como também geram retorno à sociedade, principalmente quando criam novas oportunidades de emprego.

Outro ponto que ela chama a atenção é que 28% das mulheres destacaram que a insegurança emocional foi um dificultador na hora de abrir o próprio negócio. “Elas estão mais confortáveis em serem empresárias, em negociar com homens, em liderar”, disse.

Entre os principais motivos que levaram essas mulheres a empreender estão: perceber uma oportunidade, fazer o que gosta, ter liberdade e autonomia.

A contadora Mônica Porto destacou que ao criar o seu próprio negócio, as mulheres têm a liberdade de definir seus próprios horários, o que possibilita priorizar necessidades da família sem comprometer o sucesso profissional.

“Empreender pode proporcionar um senso de realização e empoderamento incomparáveis, à medida que as mulheres assumem o controle de seus destinos e transformam suas paixões em lucro”.

Segundo a pesquisa, cerca de 60% delas têm curso superior, o que para a contadora significa que as mulheres estão percebendo que conseguem ganhos superiores empreendendo.

O estudo apontou também que mais de 73% são mães que, segundo Mônica, quando trabalham de carteira assinada, são privadas de ir a reuniões de pais na escola ou de ficar com os filhos quando estão doentes.

Sete a cada 10 usam redes sociais para os negócios

As empreendedoras capixabas estão cada vez mais presentes nas redes sociais. Pelo menos sete em cada dez negócios utilizam o recurso, conforme apontado pela pesquisa realizada pelo Sebrae.

A coordenadora estadual do Sebrae Delas, Andrea Gama, destacou que “elas estão antenadas”. A presença nas redes sociais atualmente é considera indispensável por especialistas.

A pesquisa realizada pelo Sebrae-ES também apontou que mais da metade das empreendedoras capixabas são casadas ou vivem em união estável.

No entanto, empreender também vem sendo uma alternativa de recomeço após o divórcio.

A advogada e vice-presidente da comissão de Direito da Família da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Espírito Santo (OAB-ES), Ana Paula Morbeck, destacou que atende clientes que usaram o dinheiro da partilha de bens para abrir seu próprio negócio.

“Tenho cliente que abriu escritório de compra e venda de imóveis, pousada, clínica de estética. E sim, com o próprio negócio, há mais flexibilidade de tempo”, destacou Ana Paula.

Saiba mais

Pesquisa e metodologia

Foram entrevistadas 534 mulheres de 48 municípios, por meio de questionários on-line, de novembro de 2023 ao início de fevereiro deste ano. O nível de confiança da pesquisa do Sebrae é de 95%, com margem de erro de 4,2%.

A pesquisa apontou que 57% delas deixaram a carteira assinada para empreender, para isso considerou as mulheres que trabalhavam pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) antes de abrir o próprio negócio.

Perfil das empreeendedoras

– 64,6% têm entre 30 e 49 anos.

– 73% são mães, dessas 60% têm dois ou mais filhos.

– 55% pretas ou pardas.

– Mais de 50% são casadas ou vivem em união estável.

– 56% delas têm ensino superior completo ou mais.

– 57,5% trabalhavam de carteira assinada antes de empreender.

– 9,6% são trabalhadoras informais.

– 8,2% donas de casa.

– 7,7% empreendedoras informais.

– 5,4% são estudantes.

– 35% possuem outro trabalho, além do próprio negócio.

Sobre elas

Motivações para o negócio

Principais fatores que motivaram essas mulheres a abrirem o próprio negócio: perceber oportunidade, fazer o que gosta, liberdade e autonomia.

– Mais de 60% se dedicam mais de 7 horas por dia ao próprio negócio.

– Mais de 80% trabalham sozinhas e 19% compartilham a gestão.

– Mais de 48% são responsáveis pela maior parte da renda familiar.

– Mais de 23% geram empregos direitos. Dessas, mais de 16% empregam duas ou mais pessoas.

Empreendimentos

– Mais de 54% atuam no setor de serviços e 38,9% no comércio.

– 7 a cada 10 têm presença digital, por meio das redes sociais.

– 6 a cada 10 tem até cinco anos no mercado.

– 53,9% são Microempreendedoras Individuais (MEIs).

– 21,91% microempresas ou empresas de pequeno porte.

– 22,6% operam na informalidade.

Principais dificuldades para abrir o próprio negócio

– 49%:  baixos recursos financeiros.

– 32%:  pouca experiência.

– 28%: insegurança emocional.

– 27%: conciliar profissão e família.

Fonte: Sebrae-ES.



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