Jonathan Cunha, 27 anos, é motorista do Uber em Vitória há três meses, mas desde a última quinta-feira (24) viu seu trabalho e sua segurança ameaçados por mensagens compartilhadas via WhatsApp.
O nome, a placa do carro e uma foto de Jonathan estão sendo compartilhadas no aplicativo de mensagens junto com o áudio de uma mãe que afirma que a filha foi violentada por um motorista do Uber.
Um amigo da família da vítima afirma que o áudio é verdadeiro, mas que o crime não foi cometido por Jonathan e a foto dele, ou de qualquer suspeito, não foi compartilhada pela mãe da jovem.
Na noite dessa terça-feira (29), Jonathan fez uma postagem no Facebook na tentativa de esclarecer os fatos. “Estou sendo acusado injustamente no WhatsApp de estupro. Quero limpar o meu nome e a minha imagem e peço que as pessoas procurem confirmar e entender as histórias antes de compartilhar”, disse em entrevista ao Tribuna Online.
https://www.facebook.com/100008061074909/videos/1960262677585749/?permPage=1
Jonathan afirma que nos últimos dias percebeu um aumento no número de corridas canceladas, o que pode levar a seu desligamento do aplicativo. “Acredito que pessoas que receberam o áudio junto com a minha foto estão cancelando a corrida ao verem que o motorista que aceitou sou eu. Ontem (terça-feira, 29) uma mulher chegou a fazer isso quando eu já estava no local. Ela disse que uma amiga ia buscá-la, mas, enquanto eu esperava outra corrida, ela acabou pegando outro Uber.”
Jonathan também teme por sua segurança. “Tenho medo de sofrer violência. A gente vê tanta notícia de pessoas sendo mortas, linchadas. Temo que um grupo mais radical possa me reconhecer e, sem saber direito da história, me agredir. Ou que alguém peça uma corrida e ao ver que o motorista sou eu decida fazer alguma covardia”.
O motorista registrou o caso na Delegacia de Repressão a Crimes Eletrônicos e espera que quem vinculou seu nome ao áudio seja responsabilizado.
Reportagem: Keyla Cezini