
Pessoas brancas estão usando o sistema de cotas raciais – para negros, pardos e índios – e tentam entrar em cursos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Porém, uma comissão tem atuado no ato das matrículas para inibir as fraudes.
A Comissão de Validação de Autodeclaração Étnico-racial instituída pela reitoria barrou 94 estudantes durante as três chamadas de matrículas realizadas neste ano nas unidades da Ufes. Entre eles, estão pessoas brancas e loiras.
Todos poderiam recorrer. Após o período de defesa e recurso por parte desses candidatos, 69 conseguiram ingressar na universidade. No momento, foi dado início à chamada dos suplentes para a matrícula nas 25 vagas provenientes de indeferimentos (12) e de candidatos que não se manifestaram (13).
As notas de cotistas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) chegam a ser até 30 pontos menores do que as do sistema de ampla concorrência no curso de Medicina, por exemplo.
Segundo a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), o objetivo da comissão foi experimentar um modelo de verificação da autodeclaração, a ser aperfeiçoado nos próximos processos seletivos e sinalizar para a sociedade que a Ufes conta com ação complementar à autodeclaração, prevista em lei.
A coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Ufes, Patrícia Rufino Andrade, que presidiu a comissão deste ano, explicou que é avaliado o pertencimento racial. “Verificamos quem é exposto ou visivelmente vulnerável ou não ao racismo, quem realmente faz parte do PPI (pretos, pardos e índios).”
Ela afirmou que dois casos chamaram a atenção da comissão. “Uma menina loira de olhos azuis, com foto bem produzida nos chamou a atenção por querer ingressar por cotas. Outro rapaz bem claro se considerou preto. Infelizmente, esses casos devem continuar ocorrendo. Prefiro não falar nomes de cursos nem detalhes.”
Para o ingresso dos universitários em 2018, podem haver mudanças no momento de verificação dos candidatos às cotas raciais. “As pessoas ainda não entenderam que precisamos garantir o acesso dos PPIs e cumprir a lei.”
A reportagem completa você lê na edição desta terça-feira (26) do jornal A Tribuna.
Reportagem: Kelly Kalle