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Pelo fim dos lixões

Por: Camilla Mol "Os materiais de construção provenientes da reciclagem de resíduos podem ser usados" Quando usamos a palavra lixo, designamos algo ...

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Por: Camilla Mol

“Os materiais de construção provenientes da reciclagem de resíduos podem ser usados”

Quando usamos a palavra lixo, designamos algo que não tem valor. Se esse é o significado exato, não podemos, de forma alguma, chamar de lixo os resíduos da construção civil, os restos de obras. Enquanto muita gente faz pouco caso deles, descartando-os de forma inadequada, existem usinas se dedicando a reaproveitá-los.
E essa iniciativa tem um impacto grande na natureza, nos cenários urbanos, na economia e no bolso dos cidadãos.
Se descartados corretamente, os entulhos podem ser transformados em materiais de construção muito resistentes. Brita, areia industrial, solobrita, rachão, pedrisco… São inúmeras matérias-primas recicladas, que podem ser utilizadas em obras por empresas e pessoas físicas. E o melhor: com preços reduzidos quase pela metade, se comparados aos materiais in natura.
O barateamento, entretanto, em nada tem a ver com má qualidade. Os materiais reciclados são testados em laboratório e aprovados por órgãos competentes.
O poder público, ao mesmo tempo em que busca fiscalizar e impedir a destinação incorreta de resíduos da construção civil, deve também enxergar no reaproveitamento deles uma grande possibilidade de parceria e de economia na manutenção das cidades.
Isso porque os mesmos resíduos que são um problema para as administrações municipais, devido à criação de pontos viciados de lixo pelas cidades, podem, depois de serem reaproveitados, servir para a manutenção da infraestrutura urbana. Os materiais de construção provenientes da reciclagem de resíduos podem ser usados, por exemplo, na pavimentação de vias.
O que não faz sentido acontecer é o poder público gastar para recolher esses resíduos e gastar mais ainda para destiná-los a aterros, fazendo com que eles tenham o mesmo destino do lixo, ou seja, dos rejeitos que não têm nenhum valor.
Nós temos capacidade, tecnologia e infraestrutura para fazermos esse reaproveitamento aqui no Espírito Santo. Na Ureserra, por exemplo, usina localizada no município da Serra, são produzidas, por dia, 400 toneladas de materiais reciclados. De tudo o que chega, é possível reaproveitar 90%.
É preciso reconhecer que os primeiros passos já estão sendo dados, na Grande Vitória. A fiscalização com relação ao descarte irregular de resíduos está se tornando rigorosa, com multas altas para quem faz de forma incorreta e contribui para a criação de lixões e aterros clandestinos nas cidades.
Falta conscientizar a população de que existem locais que recebem, fazem a triagem e reaproveitam esses resíduos.
Quando os entulhos chegam a uma usina de reciclagem, o responsável por levá-los recebe um certificado de que fez a destinação correta.
Por outro lado, se um caçambeiro é flagrado na rua jogando entulho em local irregular, ele e quem o contratou, ou seja, o responsável pela origem dos resíduos, são responsabilizados e multados. Às vezes, o risco de doer no bolso fala mais alto do que a necessidade de preservação e a importância de se fazer o correto.
Volto a dizer. Isso significa muito mais do que o sucesso de um ramo da indústria dedicado ao reaproveitamento de resíduos da construção civil.
Isso representa economia para cidadãos e empresários, preservação do meio ambiente e solução para um problema urbano que tende a piorar com o passar dos anos, que é a destinação de resíduos sólidos. É preciso, entretanto, que empresários, cidadãos e gestores públicos adiram a essa ideia.

Camilla Mol é empresária e administradora

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected]

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