
Um motorista autônomo, de 34 anos, foi condenado a 17 anos e 8 meses de prisão pelo crime de estupro de vulnerável praticado contra a própria filha, que na época tinha apenas 5 anos de idade.
De acordo com a polícia, os abusos começaram no segundo semestre de 2013 e aconteceram durante seis meses. Segundo o titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), os estupros ocorriam quando pai e filha ficavam sozinhos em casa.
A avó paterna e a mãe da menina foram juntas à delegacia para fazer a denúncia. “A criança narrou para a avó toda a violência que ela vinha sofrendo, a série de abusos que o pai praticava assim que a mãe saía de casa. A mãe é comerciária e o pai, motorista autônomo. Eventualmente, essa criança ficava sozinha com o pai e nesse período, ele abusava sexualmente da própria filha biológica”, disse Lorenzo Pazolini.
O inquérito foi instaurado em janeiro de 2014. “Nós fomos colhendo provas e o cidadão foi indiciado, mas naquele primeiro momento, não foi preso. Foi dada a oportunidade dele responder em liberdade. Após o trâmite judicial, a decisão foi julgada e foi confirmada nos tribunais superiores. Então, foi expedido o mandado de prisão que foi cumprido agora no dia 8. Ele foi preso perto de casa, na Vila Rubim, em Vitória”.
Para o delegado, as provas obtidas pela investigação são robustas. “A oitiva inicial da vítima já chamou bastante atenção pela riqueza de detalhes. Além disso, temos o relatório do atendimento psicossocial. Ela vem sendo atendida por psicólogos e assistentes sociais ao longo desse período e esses relatórios deram segurança e a certeza de que esse fato realmente aconteceu. Essa criança se tornou agressiva e isso chamou a atenção dos familiares e até mesmo na escola”, contou.
O acusado alega inocência. “Eu trabalhava como motorista de ônibus de turismo. Quase não tinha contato com a criança. Quem mais tinha contato com a criança era a minha mãe que tomava conta dela no período da manhã. A tarde ela ia para a creche enquanto minha ex-esposa trabalhava”, disse o homem.
Ele alega que a acusação é uma armação da ex-mulher. “Em 2011, quando houve o primeiro pedido de separação, minha filha tinha aproximadamente dois anos. Cerca de 30 a 40 dias depois, minha ex-esposa veio e registrou uma ocorrência. Dez meses se passaram e eu via minha filha na presença da mãe uma vez na semana, quando tinha folga, por 20 a 30 minutos. Eu pedi pra reatar o casamento. Nós voltamos, continuamos juntos por mais dois anos e pouco. Houve um momento que não deu mais para continuar o casamento e, dessa vez, eu pedi a separação. Trinta a 40 dias depois, ela veio aqui novamente com uma nova denúncia. Na primeira e na segunda vez eu ameacei pedir a guarda da minha filha. O primeiro depoimento da minha filha foi na presença da mãe e o segundo, não. Tanto que o laudo do psicólogo apontou a mãe como dissimulada e mentirosa. Hoje em dia tem várias acusações assim. Cabe à justiça averiguar se é verdade ou mentira”.
O delegado contesta as afirmações do acusado. “Ele é absolutamente indiferente. Ele fala da filha como se fosse uma criança qualquer, nem chama de filha. Ele sustenta uma versão que é absolutamente mentirosa. O laudo psicossocial aponta o contrário, disse a criança não estava sendo induzida”, concluiu.
O homem não teve o nome divulgado para preservar a vítima. Ele foi encaminhado para o presídio.