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Irmãs fazem sucesso em borracharia

Myllena e Ulliana vencem o preconceito dos que acreditam que mulher não pode exercer certas profissões. Foto: Roberta Bourguignon Duas irmãs de ...

Irmãs fazem sucesso em borracharia
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Myllena e Ulliana Myllena e Ulliana vencem o preconceito dos que acreditam que mulher não pode exercer certas profissões. Foto: Roberta Bourguignon

Duas irmãs de Guarapari encontraram na borracharia do pai uma oportunidade de trabalho.

A primeira a assumir a profissão do pai, que exerce o ofício há 30 anos, foi a mais velha, Ulliana Sabrina Nascimento Aragão, 20 anos. No começo do ano, quando estava desempregada e precisando ajudar nas finanças de casa, resolveu ajudar o pai na borracharia. A ideia era apenas ajudar na parte administrativa, mas ela viu a necessidade de colocar a mão na massa.

Ulliana Sabrina Nascimento Aragão Ulliana, que está há oito meses trabalhando na borracharia, disse que gosta de atuar como borracheira. Mas seu sonho mesmo é fazer faculdade de Fisioterapia. “Quero continuar trabalhando aqui, e no ano que vem pretendo fazer Fisioterapia”, planeja a jovem. Foto: Roberta Bourguignon

“Meu marido ficou desempregado e como eu não estava fazendo nada e trabalho em Guarapari está bem difícil, resolvi vir ajudar o meu pai para ver se conseguia um dinheirinho por fora e tomei gosto. É muito interessante. No começo foi difícil, mas hoje, com a prática, é bem mais fácil”, conta Ulliana.

O marido dela, Douglas Alves, 26, que é alinhador automotivo, disse que aprova o trabalho de Ulliana e parabeniza o esforço da esposa. “Muitas pessoas encaram com preconceito, mas ela faz o serviço melhor do que muitos homens”, declara Douglas.

Há duas semanas, quem resolveu encarar o desafio foi a irmã mais nova, Myllena Ramalhete, 17. Assim como Ulliana, ela troca pneus, faz remendos e realiza reparos nas câmaras de ar. “A gente resolve tudo”, enfatiza Myllena.

Myllena Ramalhete Myllena, que está há duas semanas no emprego, declara que apesar do preconceito de algumas pessoas, está gostando da experiência. Ela que quer seguir a carreira de policial militar e está na borracharia em apenas um período e mantém os estudos à noite. Foto: Roberta Bourguignon

As duas juntas estão fazendo sucesso nos serviços. O pai, José Antônio Ramalhete, 48, conhecido como Dico, confessa que o movimento até aumentou.

“Alguns clientes ficam assustados quando chegam e se deparam com elas trabalhando. Muitos questionam, mas eu sempre estou por perto para dar apoio, não deixo que elas fiquem constrangidas. É um trabalho digno”, ressalta.

Para elas, o preconceito com mulheres exercendo profissões consideradas exclusivas para homens ainda existe.

“Quando envolve a questão de força bruta, querendo ou não somos mais fracas que os homens, então há certo preconceito. É desagradável porque tem gente que fica de gracinha jogando piada e tem gente que não confia muito no nosso serviço e pede para um homem fazer. Quando isso acontece parece que não somos capazes”, desabafa Ulliana.

“As pessoas precisam entender que temos as mesmas capacidades de um homem. O lugar da mulher é onde ela quiser”, completa Myllena.

Reportagem: Roberta Bourguignon

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