
Um pai de santo foi preso nesta sexta-feira (20) acusado de encomendar a morte do próprio companheiro. Outras quatro pessoas também foram presas acusadas de executar e participar do crime. Três delas são filhas de santo de Dauro Vassoler de Oliveira, de 46 anos, conhecido como Pica-Pau, ou Loiro.
Reginaldo dos Reis Conceição foi morto no dia 10 de junho deste ano, no bairro Santa Paula, em Vila Velha. A vítima sofreu um corte no pescoço e foi atingida por disparos de arma de fogo.
O pai de santo Dauro foi preso em casa, no município de Viana. O imóvel fica localizado em frente ao seu terreiro, conhecido como Barracão. Os demais acusados foram presos em Anchieta, no litoral sul do Estado.
Kristiane do Carmo Ferreira, de 36 anos, é acusada de ser a executora do crime. Ela é irmã de Aline Patrícia do Carmo, que atende por “Alam”, de 30 anos, apontada como motorista do veículo usado no crime.
Patrícia Tapias Vieira, de 39 anos, é namorada de Aline e acusada de participar do assassinato de Reginaldo. De acordo com a polícia, segue todos os comandos de Dauro. Dieny Nunes Ferreira, conhecida como “Belo”, de 31 anos, namora com Kristiane e também é acusada de envolvimento no crime. Ela é a única que não é filha de santo de Dauro.
De acordo com um irmão de Reinaldo, a família da vítima deixou o pai de santo acreditar que não desconfiava do envolvimento dele no crime. Dauro teria mandado recados em solidariedade à família e ainda é acusado de fazer um ‘trabalho’ em cima do túmulo de Reginaldo.
Segundo a investigação da Delegacia de Crimes Contra a Vida de Vila Velha, as envolvidas atribuem ao pai de santo poderes sobrenaturais e obedeciam cegamente às ordens de Dauro, sob a ameaça de mal espiritual ou físico.
Dauro chegava a cobrar R$ 15 mil pela iniciação na religião, explorando principalmente a fragilidade das pessoas com doenças graves.
O carro utilizado no crime foi apreendido. Nele, a vítima foi transportada amarrada e morta na Estrada de Itapuera.
A motivação do crime ainda está sob investigação. A polícia trabalha com as hipóteses de crime passional (possível traição da vítima) ou financeiro, já que supostamente, a vítima possuía um seguro cujo beneficiário seria Dauro.