Com as altas temperaturas do verão enfrentadas todos os dias pelos trabalhadores do Espírito Santo, o uso do ar-condicionado nos ambientes corporativos se torna inevitável.
No entanto, 1.621 trabalhadores foram afastados no mês passado devido a doenças respiratórias que são potencializadas pelo uso do aparelho mal higienizado nas empresas. Isso resulta em 54 funcionários afastados diariamente do trabalho.
A informação é do Instituto Nacional do Seguro Social no Estado (INSS), e é somente relativa a afastamentos após perícia realizada pelo órgão, ou seja, acima de 15 dias, já que, por até esse período de atestado, é a empresa quem paga o salário.
Laringite, bronquite, sinusite, traqueíte e pneumonia são algumas das doenças que podem surgir quando um aparelho de refrigeração não é higienizado com frequência, de acordo com o médico pneumologista Carlos Alberto Gomes.
Ele destacou que poeira, bactérias, vírus e fungos respirados diariamente no ar refrigerado potencializam o surgimento das doenças que são, em muitos casos, responsáveis pelos afastamentos. “Conforme o grau da doença, o funcionário precisa ser afastado. As empresas precisam atentar para a manutenção em um período médio de seis meses”.
Outro ponto ressaltado é sobre o choque térmico que pode ser causado quando o trabalhador saí de um ambiente muito quente e entra em um refrigerado, com temperaturas baixas, o que pode causar virose ou pneumonia. “Já em escritórios, há muitas pessoas respirando, falando e tossindo no mesmo ar, assim, tanto quem frequenta, como quem permanece nesses locais, está suscetível às doenças respiratórias”.
Para a médica pneumologista Jéssica Polese, no Estado as doenças também são agravadas por causa da poluição ambiental. “Mas os aparelhos de refrigeração sujos estão diretamente ligados aos casos de afastamentos, pois eles agravam as doenças”.
Lei obriga limpeza em aparelhos
A Lei 13.589/2018, sancionada no último dia 4, já entrou em vigor e obriga que seja feita, em todos os edifícios, públicos ou privados, a manutenção nos sistemas de ar-condicionado.
O objetivo, de acordo com o Senado Federal, é garantir a boa qualidade do ar interior, considerando padrões de temperatura, umidade, velocidade, taxa de renovação e grau de pureza.
Na avaliação da diretora-executiva da Lince Psicologia e Gestão, Fernanda Carvalho, o ideal é que as empresas sejam naturalmente preocupadas com o bem-estar de seus funcionários.
Entretanto, ter uma lei que regulamente a limpeza dos aparelhos de ar-condicionado e garanta um ambiente de trabalho adequado é pertinente, segundo ela. “Qualquer situação que põe em risco o bem-estar do trabalhador é reprovada. Há muitos casos em que trabalhadores foram afastados devido a problemas respiratórios, onde as empresas foram negligentes. Contratar alguém e não oferecer condições mínimas de trabalho é um absurdo” salientou.
Além do afastamento, a falta de manutenção do ar-condicionado no local de trabalho reflete no desempenho dos colaboradores, de acordo com o CEO da Heach Brasil, Estados Unidos e América Latina, Elcio Paulo Teixeira.
Segundo ele, muitos trabalhadores apresentam quadros de rinite, o que leva à diminuição da produtividade. “É importante legislar sobre o que implica em surgimento de doença para o trabalhador”.
