Mais uma empresa está sendo investigada acusada de comercializar produtos médicos – de uso único -reprocessados de forma irregular. O caso foi divulgado nesta quinta-feira (18), após o cumprimento do mandado de busca e apreensão na segunda fase da Operação “Lama Cirúrgica”.
De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), os agentes do Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nuroc) cumpriram dois mandados de busca e apreensão na empresa Alfa Medical Ltda, localizada no Bairro de Lourdes, em Vitória.
No local, os agentes apreenderam computadores, aparelhos celulares, notas fiscais de antrada e saída de mercadorias, documentos contábeis, cadernetas com anotações de pagamentos vinculados a potenciais ilícitos e produtos para a saúde de uso único reprocessados ilegalmente, dentre outros produtos.
O dono da empresa, que não teve seu nome divulgado, deve ser denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, adulteração de produto destinado a fins mediciais e estelionato. Como ele colaborou com as investigações, a Justiça determinou medidas cautelares alternativas ao empresário, como recolhimento de passaporte, proibição de se ausentar do estado sem autorização prévia e afastamento compulsório da sede da empresa.
As investigações contra a empresa começaram em dezembro do ano passado, a partir de denúncias relacionadas a adulteração de etiquetas. O empresário, que confessou espontaneamente as fraudes, contou que diversos produtos foram reprocessados entre os anos de 2012 e 2016. A investigação agora vai apontar quantas vezes os produtos foram reprocessados.
Operação Lama Cirúirgica
Esta é a segunda apreensão relacionada a Operação Lama Cirúrgica que acontece nesta semana. Na terça-feira (16), a Sesp divulgou a prisão de uma quadrilha ligada a empresa Golden Hospitalar, empresa suspeita de comercializar produtos reutilizados de forma irregular.
Segundo a Sesp, a empresa era responsável por distribuir o material – reprocessados ilicitamente – a hospitais particulares da Grande Vitória, como sendo produtos novos. A investigação começou em outubro do ano passado, quando o Nuroc, a Vigilância Sanitária do Estado e a Vigilância Sanitária da Serra, encontraram produtos médicos e etiquetas de identificação dos produtos com indícios de irregularidades.
Outra descoberta feita durante as investigações foi um dos produtos que, reprocessado de forma ilícita, foi reaproveitado 2.536 vezes.