Os depoimentos das testemunhas convocadas pelo Ministério Público foram marcados por muita emoção e novas revelações contra o policial civil Hilário Frasson, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da mulher, a médica Milena Gottardi.
Segundo fontes da Justiça, foi feita a revelação de que o policial civil teria dito, em jantar com amigos, que mandou matar os assassinos do pai de Milena, Honório Tonini, 58 anos, morto com um tiro na cabeça, durante um assalto, em 2001, em Fundão.
Em outro momento, outra testemunha, de acordo com fontes da Justiça, citou que a médica teria dado o telefone para a filha de 9 anos, para evitar que fosse vigiada pelo marido. Também foi destacado o momento em que a mãe de Milena, dona Zilca Gottardi, prestou depoimento.
Emocionada, a mãe da vítima relatou tudo o que Milena sofria, como era o casamento da filha, o momento em que houve a decisão pela separação e frisou o quanto era incurável a dor da perda. Ela chorou e houve algumas interrupções na fala dela.
Fontes da Justiça disseram que o relato emocionou os presentes na audiência. Outro familiar que prestou depoimento foi Douglas Gottardi, irmão de Milena.
Ele contou que Hilário dizia que tinha muita influência no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-ES) e que isso faria com que ele ficasse com as filhas e com o patrimônio do casal. Os depoimentos foram finalizados por volta das 23h45 e nesta quarta-feira (17) haverá outros.
O advogado da família de Milena Gottardi, Renan Sales, que atua como assistente de acusação, disse que a expectativa é de que os réus possam ir a júri popular.
“É importante que esse processo vire um paradigma, que se torne um marco histórico, para que mulheres deixem que morrer pelo fato de serem mulheres.”
Neste primeiro momento, os réus passam pelas audiências e caberá ao juiz decidir se pronuncia ou não os acusados, para definir se vão a júri popular.
Executor foi ameaçado
A defesa do réu apontado como executor da médica Milena Gottardi, Dionathas Alves Vieira, pediu nessa terça-feira (16) ao juiz responsável pelo julgamento do caso, Marcos Pereira Sanches, que o preso fique isolado de fato dos demais réus no processo.
De acordo com o advogado Leonardo da Rocha, que defende Dionathas, durante o momento em que os seis réus aguardavam nas celas do Fórum Criminal de Vitória, para entrar no salão do júri, Dionathas teria sido ameaçado.
“Um agente da Sejus comunicou ao juiz que o Dionathas teria sido ameaçado pelos demais réus. Quando Dionathas e Bruno subiram, eles me relataram que eles teriam sidos ameaçados e que Hilário teria falado para trocarem de advogado, pois ele iria pagar um outro advogado para os dois. Com essa troca de advogados, os dois teriam que trocar os depoimentos, que incriminam os demais réus e que assim que Hilário e Valcir saíssem, eles iriam ajudar as famílias deles aqui fora”, afirmou Rocha.
Segundo Rocha, o juiz determinou o isolamento de Dionathas e abertura um Inquérito Policial para investigar as ameaças.
A reportagem completa sobre o primeiro dia de depoimentos das testemunhas você lê na edição desta quarta-feira do jornal A Tribuna.
