
Em meio ao encontro dos dois, que aconteceu dentro de uma igreja evangélica em Vila Velha, uma decisão forte por parte de um pai: abrir mão do sentimento de rancor e revolta que o cercava há pelo menos 15 anos. Alexandre ministrava uma pregação na igreja e depois chamou Leopoldo para lhe dar um abraço.
“Desde que meu filho foi assassinado, eu fiquei rancoroso, revoltado e isso não faz bem. O meu coração não estava em paz. Eu só ficava ficava reclamando e com ódio. Agora eu resolvi apaziguar meu coração”, afirmou.
Alexandre Martins deixou claro que “não perdooa” o juiz aposentado, mas que decidiu abrir mão de um sentimento ruim. “Eu não quero ter ódio de ninguém, porque isso não vai mudar nada. O Ministério Público está tomando conta do processo. Não sou eu que condeno e não sou eu quem julgo. Ele tem que se resolver com a Justiça. Se eu o encontrar novamente, vou cumprimentá-lo”, afirmou.
O advogado lembrou que Leopoldo foi seu aluno há alguns anos e que o acusado havia dito que “jamais faria algo contra o seu filho”. “Ele falou que tinha um respeito muito grande por mim, porque ele foi meu aluno e ele me disse que gostava muito do meu filho e que jamais faria algo contra ele. Eu dei um abraço nele, mas isso não significa dizer que sejamos amigos nem somos inimigos. Somos apenas duas pessoas”, contou.
Em entrevista ao Jornal A Tribuna, o advogado contou que um dos motivos que o levaram a tomar esta decisão foi um “cansaço na alma”.
“Se odiar alguém trouxe o meu flho de volta, eu iria odiá-lo pelo resto da vida. Mas ele não vai voltar. Achei melhor não ter ódio dele e deixar a vida mostrar o que tem que ser mostrado. Todo mundo tem a sua cruz para carregar e essa é a cruz que tenho que carregar”, disse.
Tribunal de Justiça
Procurado pelo Jornal A Tribuna, o Tribunal de Justiça esclareceu que “o processo referente ao Juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira encontra-se em grau de recurso nos Tribunais Superiores. A Justiça Estadual aguarda o julgamento do recurso em Brasília, para dar prosseguimento ao processo”.