Publicitário, Thiago Reis, 24 anos, deixou o Estado há um mês rumo a Chicago, nos Estados Unidos, sem data para voltar. Na mala, sonhos de melhorar as perspectivas de trabalho. Lá, encontrou oportunidade como modelo e chance para uma vida nova.
Thiago faz parte de um universo aproximado de 43 mil pessoas que deixaram o Espírito Santo neste ano, de acordo com a mais recente estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Especialistas analisam que o êxodo se dá, principalmente, por uma busca de novas oportunidades, como emprego e estudos.
Doutorando em Geografia e professor da UVV, Pablo Lira explica que a migração acontece muito nas divisas para o Norte do Rio de Janeiro, o Sul da Bahia e Minas Gerais.
“Vão em busca de emprego na região petroleira fluminense, na indústria de celulose baiana e nas atividades ligadas à indústria do minério de ferro em Minas”.
O consultor de carreiras Elias Gomes, por sua vez, analisa que essa migração acontece, inclusive, com profissionais muito qualificados que perderam emprego e não encontraram no Estado uma recolocação no mercado.
Já executivos e estudantes em busca de um início ou reconstrução de carreira têm optado também por morar em outros países.
“A migração sempre aconteceu, mas em menor escala. Porém, nos últimos anos, por conta da crise, esses profissionais ficaram mais flexíveis e saindo da zona de conforto”, observou Elias Gomes.
Um dos casos citados por ele é o de um executivo que trabalhava em uma grande empresa, foi demitido e, no início do ano, conseguiu uma recolocação em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.
A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Espírito Santo (ABRH-ES), Kátia Vasconcelos, lembra que no passado, entre 2001 a 2015, a situação era diferente.
“Um movimento puxado pelas indústrias permitiu a chegada de muitos profissionais, em função das ofertas de trabalho. Mas à medida que vimos o desenvolvimento do País diminuir, e o nosso Estado, fortemente afetado por isso, é natural ver a diminuição das oportunidades se refletindo em migração”.
Vida na Europa

Inicialmente, ela pretendia permanecer no local por seis meses, prazo do seu visto de estudante.
Chegou a retornar ao Espírito Santo, mas, em fevereiro de 2017, Nathaly decidiu deixar Cariacica, onde morava, e voltar à Europa para fazer mestrado e trabalhar.
E não demorou muito tempo para ser contratada como arquiteta em Dublin. Realizada, ela não tem planos de retornar para o Brasil tão cedo.
“Aqui, encontrei uma cidade organizada, trabalho, segurança, qualidade de vida, fiquei noiva e estou muito feliz.”
