
A TRIBUNA – Pensou em reagir ao assalto?
ESTUDANTE – Não pensei em reagir. Eu entreguei o celular assim que ele falou que queria. Ele fez na covardia, pois eu já tinha entregado o aparelho. Não precisava ter me esfaqueado. Ele fez de maldade mesmo. Ele percebeu que os passageiros que estavam no ônibus viram o que ele fez e me deu a facada para tirar a atenção dele, para que as pessoas fossem me ajudar e não fossem atrás dele.
O que aconteceu depois que levou a facada?
Eles fugiram levando o meu celular, não roubaram nada da minha irmã e nem de outros passageiros. Nisso, tinha uma técnica de enfermagem dentro do ônibus e ela foi me ajudar, ficou me acalmando. Eu me deitei no banco, no colo da minha irmã, e o motorista seguiu até o Terminal de São Torquato. Minha sorte foi que tinha essa técnica de enfermagem dentro do ônibus. O Samu e a Polícia Militar foram até o terminal um tempo depois.
O que pensava enquanto estava deitada no colo da sua irmã, dentro do ônibus?
Pensava que poderia ter morrido, que a facada poderia ter atingido o meu peito. Se eu não tivesse me virado no momento do golpe, poderia estar morta. Saiu muito sangue e eu fiquei assustada. Foi um golpe profundo. Eu não reagi, não precisava do ladrão ter feito isso. Sempre tomei muito cuidado dentro de ônibus.
Você costuma pegar essa linha com frequência?
Não muito, mas a minha irmã pega todos os dias para ir trabalhar. E eu sempre aconselhei ela a tomar cuidado, pois achava perigoso. Falava para ela não mexer no celular dentro do ônibus e eu mesmo acabei fazendo isso. Tirei o celular da cintura bem rápido, não achei que isso iria acontecer. Fiquei muito triste, desesperada.
Já tinha sido assaltada dentro de ônibus?
Não, só na rua. Já tinha medo de andar de ônibus e agora vou ficar com mais medo ainda. Mas, não tem jeito, preciso de usar ônibus todos os dias para trabalhar, estudar. E a população precisa de mais segurança, acho que tinha que ter policiais dentro dos ônibus.