
A primeira fala dos personagens principais só é ouvida depois de 40 minutos de cenas encadeadas ao ritmo de uma trilha sonora quase imperceptível. Para os ouvidos já acostumados com explosões, batidas e mixagens de som em volumes ensurdecedores, é um choque daqueles que, como bem proferiu a escritora brasileira, perturba, incomoda, aflige.

Se, nos primeiros momentos, se concentrar e embarcar nessa proposta não é tão fácil, passado alguns minutos, cada passo dado pelos personagens faz o espectador prender a respiração e temer até mesmo um sussurro com amigo da cadeira ao lado. Não se pode perturbar aquela atmosfera de suspense e terror.
O roteiro é direto e não se incomoda com explicações ou em situar o espectador. A realidade que vive a família – a qual nem nome tem – é aquela, e nela que todos precisam sobreviver. Esse é um acerto, assim como a escalação do elenco. Neste filme, expressões, olhares e linguagem corporal são determinantes.
A tarimbada Emily Blunt (Diabo Veste Prata, A Garota do Trem, e O Retorno de Mary Ponppins, este com estreia este ano) consegue se sair mais uma vez muito bem. Ela interpreta a mãe e com apenas um olhar transmite toda angústia de quem vê a vida dos seus filhos ameaçada. 
Todos eles tiveram no silêncio um desafio, o que se estende ao espectador. Nas redes sociais, quem já viu o filme só tem elogios e relata a árdua missão de tentar comer pipoca em meio à ausência de som quase absoluta.
“Um lugar silencioso”: um filme que assusta com o silêncio
A escritória brasileira Martha Medeiros tem uma frase já emblemática e bem conhecida, principalmente nas redes sociais: “O único silêncio que ...