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Economia

Petrobras anuncia redução de 10% no diesel

Acuado pela paralisação dos caminhoneiros e preocupado com o risco de uma crise de desabastecimento, o presidente Michel Temer pressionou o comando ...

Última atualização

 Posto Ventura, em Iúna região do Caparaó (Foto: Ulisses Alves Padilha)

Acuado pela paralisação dos caminhoneiros e preocupado com o risco de uma crise de desabastecimento, o presidente Michel Temer pressionou o comando da Petrobras e a estatal reduziu em 10% o preço do diesel, congelando-o por 15 dias, para que o governo possa encontrar saídas com os manifestantes.

Os atos dos caminhoneiros começaram na segunda-feira (21) e não foram suspensos mesmo depois de reuniões na quarta (23) com ministros no Palácio do Planalto. Ocorreram manifestações em 24 estados, e o abastecimento em diversos setores foi comprometido. Sem entregar nada de concreto, Temer pediu uma trégua de três dias, mas não foi atendido.

Logo em seguida, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o presidente pediu que a Petrobras encontrasse uma saída, sem que isso representasse uma intervenção do governo na política de preços da petroleira. “Esta politica deu à Petrobras a condição que ela tem. Agora chegou o momento em que o presidente Michel Temer resolveu fazer com que nós analisássemos de novo o que nós temos que fazer em relação a isso.”

Embora tenha ponderado que o presidente da estatal, Pedro Parente, possui autonomia, lembrou que ele ocupa um cargo de confiança, indicado por Temer, mas negou que Parente corresse risco de demissão caso não atendesse ao pedido do governo.

Na sequência, a Petrobras convocou uma uma coletiva de imprensa, o Parente, anunciou a redução do preço do diesel. Parente disse que essa era uma decisão da companhia para dar condições ao governo de negociar com os manifestantes.

De acordo com o dirigente, o impacto na bomba será de R$ 0,25 por litro. O valor é muito maior do que os R$ 0,05 por litro que viriam com a decisão do governo de zerar a Cide (Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico) sobre o diesel, anunciada na terça-feira (22), após acordo com o Congresso Nacional.

Com o corte, a Petrobras terá uma perda de R$ 350 milhões em suas receitas com venda de diesel. O caixa da empresa sofrerá uma perda de R$ 100 milhões.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a estatal age “antes tarde do que nunca”. Maia havia criticado na tarde desta quarta-feira (23) o que chamou de “letargia do governo”.

“E é bom que zere logo [a Cide], porque a população não pode ser afetada por essa letargia do governo federal. É uma letargia, uma falta de compromisso em dar solução para esses problemas”, disse.

Parente assumiu a presidência da Petrobras em maio de 2016 com a missão de recuperar o caixa da empresa, reduzir suas dívidas, vender ativos e desenvolver uma nova política de preços de combustíveis.

Ele ressaltou à época que a Petrobras teria autonomia para criar e praticar seu próprio modelo. O governo dizia que a Petrobras não faria mais política populista com o preço do combustível, referindo-se ao governo de Dilma Rousseff que congelou reajustes da gasolina e diesel.

“O preço fica parado para que o governo encaminhe suas negociações. Depois desse prazo, voltamos com a política convencional”, disse Parente.

O presidente da estatal afirmou que a direção levou em conta também as possíveis perdas para a empresa com a paralisação de caminhoneiros. Em caso de as refinarias não conseguirem escoar sua produção, a perda estimada, segundo Parente, seria de R$ 90 milhões.

“Não é uma solução definitiva. Estamos dando a nossa contribuição, esperando que os transtornos para população possam ser interrompidos”, disse ele. “Espero que os movimentos [de caminhoneiros] entendam esse gesto”, afirmou Parente.

Questionado sobre como fica ao final dos 15 dias a política de preços, que tem como base a cotação internacional do barril de petróleo, Parente garantiu que ela voltará.

“Não vejo nenhum arranhão na nossa autonomia e a nossa liberdade de praticar preços. Não foi uma decisão fácil. Eu tenho horror a dogmas. O momento que o Brasil vive exige pragmatismo. Vou dormir bem esse noite”, disse Parente.

Até as 20h30, a Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros) não havia se pronunciado sobre a decisão da Petrobras.

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