
Segundo o titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Lorenzo Pazolini, o acusado mora no mesmo bairro da vítima – o nome não está sendo divulgado para preservar a identidade da vítima, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Ele conhece a família da menina há mais de 20 anos. A filha mais nova dele, que tem praticamente a mesma idade da vítima, é amiga da menina e as duas brincavam constantemente”, contou o delegado.
Pazolini disse que os abusos começaram em dezembro do ano passado, quando a vítima foi convidada a passar a virada de ano junto com a família do acusado, em uma casa de praia de Guarapari.
“A criança foi ao banheiro e, nesse momento, ele (acusado) foi atrás dela e passou a mão nas partes íntimas, cometendo o crime de estupro”, revelou Pazolini.
Pazolini contou que após o primeiro ato, vários abusos aconteceram na garagem da casa do acusado e em outros cômodos. “Ele não soube me dizer quantas vezes aconteceram os abusos, mas contou que eram feitos na garagem e na cozinha da residência”, disse.
Em depoimento, a criança contou que foi ameaçada várias vezes pelo suspeito para não contar os fatos para a família. Porém, teve uma crise de choro na escola, e a pedagoga a chamou para conversar.
“Ela contou os fatos para a pedagoga que, em seguida, ligou para a família. A mãe foi informada e veio até nossa delegacia”, disse Pazolini.
O delegado ouviu a família e pediu à Justiça mandado de prisão temporária, na segunda-feira. “Ele foi convidado a depor na manhã de hoje (ontem) e foi surpreendido pelo cumprimento do mandado”, contou o delegado.
O acuso foi autuado por estupro de vulnerável e por ter oferecido dinheiro para a família, na tentativa de “calar a verdade em depoimento”. Ele foi levado ao Presídio Estadual de Vila Velha V (PAVV-V).
“Também sofri abusos”
“Não adianta eu pedir perdão! Eu e a menina precisamos nos tratar. Quando eu era criança, também sofri abusos. Talvez por isso eu não conseguia medir o mal que fazia para ela. Nunca quis fazer mal a ninguém, nem a ela. Por isso, propus pagar o tratamento psicológico para ela, porque eu sei que ela precisaria. O dinheiro que ofereci era para pagar esse tratamento.
Falei com a mãe dela que, se fosse o caso, eu mudaria para outro lugar para ajudar apagar a mágoa profunda que ficou. Eu tenho mais que arrependimento. Sofro e estou com raiva de mim mesmo. Não queria ter feito isso.”
Servidor público federal, 52 anos, acusado do crime