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Internacional

Brasileiro é capturado por radicais na Ucrânia

O brasileiro Rafael Lusvarghi, que combateu com os rebeldes pró-Rússia no Leste da Ucrânia, foi capturado nesta sexta-feira (4) por um grupo de ...

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O brasileiro Rafael Lusvarghi, que combateu com os rebeldes pró-Rússia no Leste da Ucrânia, foi capturado nesta sexta-feira (4) por um grupo de ultranacionalistas ucranianos. Ele estava escondido em um mosteiro em Kiev e foi levado para o Batalhão Azov até a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU).

Em julho de 2015, o brasileiro conversou com o jornal A Tribuna. Na ocasião, ele afirmou que havia perdido a conta de quantas pessoas matou. “Não vejo problema em tirar vidas. Respeito meu inimigo e o honro, e também vejo a morte em combate como  uma grande honra”, explicou ele na entrevista que pode ser lida na íntegra abaixo. 

 Rafael Lusvarghi foi capturado por jovens radicais na Ucrânia. (Foto:Divulgação )

Em um vídeo que circula na internet é possível ver que o brasileiro de 33 anos de idade está sendo agredido. nas imagens, um jovem nacionalista dá um tapa no rosto de Rafael. 

O grupo nacionalista também exigiu que Lusvarghi pedisse ao presidente russo, Vladmir Putin, que lhe trocassem por soldados ucranianos que estão em poder dos separatistas pró-Rússia.

Rafael estava refugiado no mosteiro de Kiev pois as autoridades pediram seu passaporte e ele não podia deixar o país. Em janeiro de 2017, o brasileiro foi condenado a 13 anos de prisão por participar de atividades terroristas contra o Estado ucraniano, mas foi colocado em liberdade no fim do mesmo ano.

Entrevista com Rafael Lusvarghi, publicada em 19 de julho de 2015 no jornal A Tribuna. 

“Sim, eu já matei e perdi a conta”

Se pudesse pintar em palavras o que você vê hoje na Ucrânia, como o faria? O que mostraria às pessoas?

A guerra está congelada,mas ainda há muitos tiroteios e mortes nas fronteiras. A população das áreas afetadas sofre com falta de medicamentos, água, saneamento básico, eletricidade e alimentos.

Vale a pena lutar em uma guerra congelada?

É realmente frustrante a condição da guerra agora, mas ainda tenho muitos deveres e funções a desempenhar aqui, como fazer reconhecimentos nas linhas inimigas, para averiguar seus movimentos, e auxiliar no treinamento de futuros instrutores.

Aonde isso pode te levar?

Bom, com meu trabalho no fronte eu contribuo com o cessar-fogo, da mesma forma que ajudo no melhoramento do Exército Regular Novorusso. Apenas faço o que tem que ser feito, cumpro minha missão, custe o que custar, mesmo se for necessário dar a minha vida.

Você matou pessoas?

Sim, eujá matei e perdia conta, especialmente pelas minhas funções de artilheiro. Não vejo problema em tirar vidas. Respeito meu inimigo e o honro, e também vejo a morte em combate como uma grande honra.

Não sente remorso por ter tirado a vida de alguém?

Não, até porque não fiz nada ilegal. O direito internacional prevê a garantia de qualquer povo se emancipar,mesmo sem consentimento do estado do qual desejase separar. Logo, tudo o que fiz no campo de combate foi dentro do meu código de honra, e poderia ter acontecido comigo.

A morte seria uma honra?

Em combate, a morte, ou mesmo um ferimento, é uma grande honra e privilégio. A morte vem para todos,mais cedo ou mais tarde. Se o inimigo não quer morrer, pode se render, desertar, pode se recusara se mobilizar e ser preso. A vidaé feita de ações e reações. Mas os guerreiros que enfrento são valentes e bem preparados. É uma honra ter tal nobre adversário. Espero encontrá-los em Valhalla (Salão dos Mortos, na mitologia nórdica).

Não odeia os seus inimigos?

Não os odeio nem os recrimino. Estão lutando pelo seu lado, como eu pelo meu. E, no fim, devemos lutar pelo que achamos certo, porque, quem, além de nós mesmos, para poder decidir? Eu luto pela causa que acho correta, da forma que acho correta. E ninguém pode julgar ou escolher por mim. Apenas os deuses sabem a real verdade. Nós apenas devemos ser honestos com nós mesmos e fazer o nosso melhor.

Já viu a morte de perto?

Sim, e ao ser ferido eu vislumbrei a possibilidade de minha morte e fiquei feliz em ser capaz de fazer tal sacrifício.

Acha que a causa dos separatistas na Ucrânia terá final feliz?

Depende do que é um final feliz. Essa é uma pergunta difícil. Acho que essa guerra não rende muito mais do que já aconteceu. Eu gostaria de uma Ucrânia forte e unificada, respeitando as tradições de suas várias etnias. Isso parece meiodifícilpor parte dogoverno de Kiev, que rejeitou uma proposta de autonomia da região. A independência das já reais, mas não reconhecidas, repúblicas de Donetsk e Lugansk seria o ideal, o mais provável a acontecer nos anos futuros.

Quais serão seus próximos passos, o que pretende fazer?

Tendo em vista a natureza do meu trabalho, não posso falar de planos futuros.

Você é um sonhador?

Não, eu me considero mais um prático-realista. Não me apego a ideias. Meus planejamentos são a curto-médio prazo e para assuntos práticos.
 

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