
A menina desapareceu no dia 8, quando andava de patins perto de um ginásio. Foi encontrada morta oito dias depois em um matagal na zona rural da cidade.
A prisão temporária por 30 dias do servente de pedreiro Bruno Marcel Oliveira, 33 anos, e da faxineira Mayara Borges de Abrantes, 24 anos, foi embasada na identificação do cheiro de Oliveira, feita por um cão farejador, no local onde o corpo de Vitória foi encontrado, no dia 16.
O mandado de prisão foi assinado pelo juiz Flávio Roberto de Carvalho, da 1ª Vara Criminal do Fórum de São Roque (66 km de SP). O depoimento do servente de pedreiro Julio Cesar Lima Ergesse, 24 anos, indiciado na quinta-feira (28) pelo homicídio da garota e já preso, e “contradições” apontadas pela Justiça nos depoimentos do casal também fundamentaram o mandado de prisão.
“Ambos são investigados pela prática, em tese, do crime de homicídio”, escreve o juiz, que diz que Oliveira e Mayara “são pessoas de índoles duvidosas”, pois apesar de negarem o crime, seus depoimentos “foram investigados e não mostraram verossimilhança, permanecendo contradições (…) que apontam a ocultação da verdade”.
Ergesse afirmou, em uma das versões relatadas sobre o caso à polícia, que saiu de Mairinque com o casal, rumo à Araçariguama, para cobrar uma dívida de drogas. Estariam em um carro preto. Na cidade, segundo ele, pegaram Vitória. Ergesse afirmou ter desembarcado do carro em Mairinque, quando Vitória teria ficado com o casal. O carro de Oliveira e Mayara foi periciado, mas nenhuma prova foi encontrada. Segundo a polícia, ela já foi presa por tráfico e ele, por roubo.
Uma das linhas de investigação da polícia é a de que Vitória tenha sido morta por engano. Ela teria sido confundida com um familiar de um dependente químico que teria dívidas de drogas. Laudo apontou que a menina foi morta por asfixia e lutou com o assassino. A polícia aguarda os laudos de análise de DNA dos suspeitos.
DETIDOS NEGAM ACUSAÇÕES
Jairo Coneglian, advogado do casal, contesta a prisão de seus clientes e afirma que eles são inocentes. “Nenhum laudo sobre o cão farejador me foi mostrado [pela polícia]”, disse. Ele acompanhou os depoimentos do casal à Polícia Civil, na manhã de sexta-feira (29). Disse que lhes foi questionado onde estavam no dia em que Vitória desapareceu e sobre o envolvimento deles no crime. “Meus clientes negam tudo. Eles não foram para Araçariguama no dia em que a menina desapareceu”, afirmou.
O defensor disse ainda que aguarda resultado de laudos, com material genético colhido dos suspeitos. Coneglian afirmou que vai recorrer à Justiça pedindo a anulação da prisão temporária de Mayara Borges de Abrantes e de Bruno Marcel de Oliveira. “Preciso estudar o caso melhor antes, para requisitar isso”, disse.