- Vitória, ES 28°C

Vitória 28°C

Anúncio
Livre Acesso

Coragem ou medo?

Setembro voa longe, mas nos deixa o frescor da renovação. Veio a primavera, o Dia da Árvore, o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência e ...

Mariana Reis é consultora em acessibilidade e educadora física.

Última atualização

Setembro voa longe, mas nos deixa o frescor da renovação. Veio a primavera, o Dia da Árvore, o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência e outras datas importantes. Este mês também nos força a ouvir a podridão daqueles despreparados que insistem em nos ludibriar para as mudanças que nunca virão. E deles eu não ouvi uma palavra sequer sobre um problema grave de saúde pública. Não, nenhum deles deu a devida atenção.

É preciso escutar – O mês de setembro nos alerta a pensar nas dores do outro. Uma dor que só é sentida por quem, em silêncio, tenta arquitetar a sua própria morte. Um assunto que ninguém quer tratar ou falar.
Um tabu, seja por questões religiosas, seja pelo medo que, ao falar, pode incitar pessoas que sofrem a pensarem no assunto. É sobre essa dor afetiva, psíquica que deveríamos lidar com todo cuidado.

Sofrer é natural, mas “proibido” – Cada um carrega suas peculiaridades dentro desse universo chamado vida e diante da qual pairam muitas dúvidas, culpas e tantas outras perturbações e sofrimentos que ninguém sabe como melhorar. É como se tivéssemos que ser felizes desenfreadamente a todo instante. Não podemos ficar tristes porque isso significa que estamos doentes e se essa tristeza vier com um sentimento de introspecção, aí você está frito e vira alvo de preocupação e pena.

Se não for por um acontecimento trágico, a tristeza não é permitida. É como se fôssemos obrigados a passar por cima de situações “pequenas” como rompimentos, angústias existenciais, carreira, fracassos, decepções…
Devemos fingir que nada disso tem importância e sair sorrindo e fazendo sinal de “paz e amor”. Na correria louca do dia a dia, não há espaço para sofrimentos.

Atenção, não se iluda! Quem frequenta redes sociais sabe o quanto somos bombardeados por uma fábrica de ostentação da felicidade. É foto de casais perfeitos, animadores, superação e frases de sucesso.
Ninguém sofre e todos têm o emprego dos sonhos. Sem contar com os casamentos perfeitos… Fico imaginando o quanto de angústia deve ter por trás daquelas fotos de festas, restaurantes… Quantas lágrimas correrão nos olhos depois daquelas noites rodeadas de pessoas lindas e escovadas.

Conte comigo – Poucos entendem que a tristeza faz parte da existência e permitir vivê-la sem julgamentos perversos também é parte do processo. Precisamos estender a mão para o outro, abrir os ouvidos, oferecer um colo, um carinho, um silêncio.

O Setembro Amarelo – Com o lema “Falar é a Melhor Solução”, é mais que necessário, pois temos de buscar um caminho para entender: que dor tamanha é essa?
Pesquisas apontam que falar sobre os sinais de alerta e sobre onde buscar ajuda, é essencial para diminuir o grande número de mortes. O medo e o estigma de que o suicídio é um pecado ou até mesmo um ato covarde, afastam quem está pensando nessa possibilidade de se abrir e receber ajuda.

Aos setembrinos – O mês está no fim, mas a reflexão para esse tema não pode acabar. E aqui você tem um café quentinho, um ombro amigo, lágrimas para chorar juntos e até silêncio, caso precise. Eu respeito e tolero a sua dor. Suicídio é coisa séria e precisamos falar.

Que tal parar e prestar atenção naquele amigo ou parente que está bem ali pertinho de nós querendo ser ouvido e não julgado, e fazer o que Clarice Lispector fez? “Um amigo me chamou para cuidar da dor dele, guardei a minha no bolso e fui”.

Boa quarta e se jogue para a vida!
 

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.