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Polícia

Três igrejas arrombadas por dia na Grande Vitória

Reconhecidas como locais de oração e de busca pela paz, nem mesmo as igrejas têm escapado da ação de criminosos. Segundo o presidente da Associação ...

Pastor Enoque de Castro com Bíblia e cadeado: número de invasões pode ser maior por falta de registro na polícia.

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Pastor Enoque de Castro com  Bíblia e cadeado: número de invasões pode ser maior por falta de registro na polícia. (Foto: Rodrigo Gavini/AT)Reconhecidas como locais de oração e de busca pela paz, nem mesmo as igrejas têm escapado da ação de criminosos. Segundo o presidente da Associação de Pastores Evangélicos da Grande Vitória (Apev), pastor Enoque de Castro Pereira, em média, são registrados três arrombamentos de igrejas por dia na região.

No entanto, de acordo com o pastor, esse número pode ser ainda maior, já que muitos casos não são registrados pelos responsáveis pelas congregações na polícia.

“Acho que é uma média modesta. Muitas vezes, as pessoas nem dão queixa do crime na polícia, porque é levado um microfone, um violão, que os bandidos roubam para fazer um dinheiro fácil.

Muitos casos não chegam ao nosso conhecimento. Na Grande Vitória, existem mais de 2 mil igrejas evangélicas”, revelou o pastor.

Outro fator que pode aumentar essa estatística é que a estimativa informada pelo pastor diz respeito apenas às congregações evangélicas e não constam dados de crimes em imóveis de outras crenças, como a católica e a espírita, por exemplo.

Os criminosos que invadem as igrejas em busca de instrumentos, aparelhos de som e outros objetos que possam render a eles algum dinheiro. “Eles arrombaram uma igreja em Jardim da Penha para levar um registro de chuveiro”, revelou Enoque.

O dinheiro do dízimo e ofertas, geralmente, não é encontrado pelos bandidos, pois costuma ser guardado em outros locais, fora da igreja.

“Antes, havia respeito com a igreja por ser um local onde se prega a palavra de Deus. Hoje, esse respeito está indo embora. Muito também pelo mau exemplo de pessoas que usam a igreja para o bem próprio”, analisou o pastor.

De acordo com o presidente da Apev, a segurança é o grande problema do Brasil. O desafio do cidadão, hoje, é sair e voltar para casa com as integridades física e psicológica intactas.

“Um exemplo da insegurança é em Santa Cecília, Vitória. Lá, tem as igrejas Maranata e Católica. O ônibus não vai até lá. As pessoas precisam saltar na entrada do bairro e seguir andando, mas acabam sendo assaltadas no caminho. A situação no bairro é muito perigosa. Está sendo arriscado andar no bairro”, revelou o pastor Enoque.

Celebrações mais cedo

Por conta da violência, algumas igrejas alteraram o horário de funcionamento e passaram a realizar os cultos mais cedo, para que os fiéis não se tornem vítimas de assaltantes.

O presidente do Ministério Gama e pastor da Igreja Batista de Morada de Laranjeiras, Gilson Pereira da Rosa, revelou que o horário do culto depende da área em que a igreja está localizada.

“Em Central Carapina, o pastor convive com tiroteios e passou o culto para às 18h30. Até diminuiu o número de pessoas que vão à igreja. Elas deixam de ir por medo. É muito perigoso. Eu mesmo começo os cultos às 19 horas, antes era às 19h30. Já tive caso de fiéis sendo abordados por assaltantes voltando para casa”, afirmou ele.

O presidente da Associação dos Pastores Evangélicos da Grande Vitória (Apev), pastor Enoque de Castro Pereira, revelou que algumas congregações têm realizado encontros nas casas dos fiéis, que são divididos em grupos. “Muitas igrejas estão usando a metodologia das reuniões de grupos em casas e tendo apenas grandes celebrações nos templos”, contou.

Fiéis dormem dentro de templos para evitar crimes

Na tentativa de evitar novos arrombamentos e invasões aos templos, fiéis dormem dentro de algumas igrejas, revela o presidente da Associação dos Pastores Evangélicos da Grande Vitória (Apev), pastor Enoque de Castro Pereira.

“Em casos de festaa, quando objetos de valor são colocados dentro da igreja, e não tem ninguém para vigiar, um fiel se faz voluntário para dormir no templo, para vigiar esses objetos”, disse o pastor.
Já em igrejas maiores, existe a prática de colocar vigias noturnos, pagos pela própria congregação, para tomar conta do patrimônio.

Monitoramento

Outra medida adotada, por algumas igrejas, para dar segurança aos fiéis é colocar diáconos, de forma voluntária, para monitorar a entrada durante as celebrações, conforme explica presidente do Ministério Gama e pastor da Igreja Batista de Morada de Laranjeiras, Gilson Pereira da Rosa.

“A região tem um alto índice de roubos de carros. Tenho uma escala de equipes, formada por três ou quatro pessoas da própria igreja, que, no domingo à noite, ficam vigiando os carros na porta do templo e fazem rondas nas proximidades, para vigiar os veículos dos fiéis”, relatou o pastor.

Alguns casos

Prejuízo de R$ 4 mil com arrombamento

Bandidos deixaram um prejuízo de R$ 4 mil na Segunda Igreja Batista, no Balneário Ponta da Fruta, Vila Velha, em julho deste ano. As grades foram serradas e o alarme desligado pelos ladrões que levaram equipamento de som.

Frei amarrado em roubo no Convento

O frei Pedro Engel, 80, foi amarrado e assaltado por 2 bandidos, no Convento da Penha, Vila Velha, em 13 de fevereiro do ano passado, durante a greve da Polícia Militar.

Paróquia invadida seis vezes na Serra

Em 13 anos que a paróquia Nossa Senhora da Penha está localizada no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, ela já foi invadida por bandidos seis vezes. A última invasão ocorreu em agosto do ano passado.

Furto de aparelhos no valor de R$ 10 mil

O templo da comunidade São José, em Rio Marinho, Vila Velha, foi arrombado por ladrões, em 17 de março de 2016. Os ladrões levaram cerca de R$ 10 mil em equipamentos eletrônicos.
 

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