
A TRIBUNA – O relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública é muito claro ao apontar que o PCC é uma das facções criminosas presentes no Estado, em desencontro ao posicionamento que a Secretaria de Segurança Pública vem mantendo em declarações.
NYLTON RODRIGUES – A nossa inteligência monitora todas as possíveis ações criminosas. E, por isso, nós afirmamos que o PCC não tem estrutura consolidada no Espírito Santo. Eles não têm estrutura de comando. Podem até possuir integrantes presos nos nossos presídios, mas não são organizados. Não comandam.
Mas em telefonema interceptado pela Polícia Civil de São Paulo, Filipe Augusto Santos, conhecido como Assassino, convida um criminoso chamado Canela para ser o “Geral do Sistema”, nos presídios capixabas.
Nosso serviço de inteligência monitora conversas também. O que não quer dizer, na prática, que possuem coordenação no Estado.
Mas, então, por que uma ligação desse teor?
Falar, podem falar o que querem. Mas não comandam. O PCC não controla território. Eles não têm organização. E, se tentarem, nossas forças policiais atuam.
O relatório também lembra da presença do Primeiro Comando de Vitória. Fontes da Segurança Pública dizem que o PCV é aliado do PCC, principalmente no que diz respeito ao comércio de drogas…
Nós possuímos facções locais. Temos grupos no Bairro da Penha, mas não há um comandante. Não existe uma aliança. O que existe é a comercialização de drogas entre eles (criminosos).
A reportagem apurou que a gangue do Trem Bala é o braço armado do PCC.
O Trem Bala é braço armado do crime local do Bairro da Penha.
Secretário, há indicativos da ação do PCC em relatório, interceptações da Polícia Civil paulista e investigações do Ministério Público.
O que eu tenho notado é que a imprensa quer convencer que o PCC domina o crime no Espírito Santo. Mas estou informando que não domina! Quando a gente começa a falar uma mentira dez vezes, ela se torna uma verdade.
Não há ação então?
Tem integrantes e simpatizantes nos presídios, mas sem comando. Eles não dominam. As nossas polícias não permitem. A população pode confiar em suas polícias.
Os bandidos que roubaram um carro-forte no último dia 28, em um Shopping de Vila Velha, conseguiram se associar ao PCC para facilitar, principalmente, a compra de drogas e armas. E o caso deles?
É um grupo criminoso da Bahia, que veio ao Estado fazer uma ação criminosa. Nossa polícia prendeu todo mundo. E isso não quer dizer que eles dominam algo.
E as interceptações a partir de São Paulo? Não têm valor?
Não quer dizer que é verdade. É claro que a gente apura e monitora. Mas transcrição é algo que tem que ser apurado.
E o que já foi descoberto?
Nos presídios do Estado temos alguns integrantes do PCC, alguns simpatizantes. Estamos monitorando, mas não tem projeção de liderança alguma. A nossa inteligência apurou que pode haver um vínculo – isso não quer dizer que tenham estrutura hierarquizada.
Fontes revelaram que o PCC aproveita a troca de turnos de PMs para fazer a entrega de armas. E que são informados pelos próprios policiais.
Nossos horários de troca de turno são diversificados justamente para evitar qualquer tipo de ação criminosa. E, neste caso, não são policiais. São bandidos disfarçados de polícia!
Há uma força tarefa para cuidar de investigações sobre o PCC no Estado?
Na nossa inteligência tem setores que existem só para monitorar facções criminosas. Monitoram o tempo todo. Por isso, gostaria que levassem em consideração não apenas um diálogo de um criminoso (refere-se à conversa de Assassino), mas as nossas investigações, que também apuram diálogos.
Qual a conclusão da polícia, então?
Os membros existem, mas não têm projeção de liderança.