Moradores de Guarapari ocuparam ontem a Praça Philomeno Pereira Ribeiro, em Muquiçaba, como forma de protesto pela morte de pacientes no Hospital Francisco de Assis (HFA), localizado no município. Além de protestar, eles cobraram melhorias na saúde municipal.
Há uma semana, a dona de casa Carliane Mota da Conceição, 26 anos, e o pedreiro José Nilson Ferreira dos Santos, 31, perderam a única filha, Sophya, de 4 anos. “Ela morreu dentro do hospital infantil, depois de ser diagnosticada com garganta inflamada, e receber como tratamento um xarope e balão de oxigênio por algumas horas”, disseram os pais.
“Eu esperei por atendimento por mais de uma hora. Minha filha estava muito cansada e vomitando. A médica olhou a garganta dela e disse que estava inflamada. Colocaram ela no oxigênio. Ela ficou de 3 da tarde até 7 da noite no oxigênio. O corpo dela começou a ficar mole, levaram ela para a sala vermelha e quando foi 8h40 disseram que ela morreu”, lembrou a mãe, muito abalada.
O pai acredita que o hospital foi negligente. “Eles foram negligentes. Faltou atenção do hospital com ela. Como colocaram ela no oxigênio sem ao menos saber o que ela tinha?”, questionou.
Na certidão de óbito da criança consta que a morte foi em decorrência de uma broncopneumonia, traqueo bronquite aguda alérgica e asma brônquica.
No início de outubro, outra criança de 4 anos também morreu. Abinadab Lael Pompermayer foi atendido reclamando de dores no peito e foi diagnosticado com virose e liberado. Em casa, um dia depois, a criança morreu nos braços da mãe.
O pai, Lucas José de Oliveira, 39, e a mãe Valéria Pompermayer, 38, contam que o filho se queixava de dores fortes na barriga. Mas como se trata de uma criança, ele não sabia definir que essa dor seria na verdade no coração.
O laudo atestou como provável causa da morte miocardiopatia dilatada e insuficiência cardíaca congestiva. O menino, segundo os pais, tinha o coração grande, e o hospital, que não fez exames, não descobriu o que a criança tinha.