Um promoter de uma casa de shows de Vitória foi indiciado por racismo após negar reserva a cliente negra. O inquérito foi concluido e divulgado pela Delegacia de Crimes Cibernéticos (DRCC) na manhã desta segunda-feira (5).
O titular da DRCC, delegado Brenno Andrade, contou que a jovem de 28 anos não conseguiu reservar uma mesa para sua festa de aniversário em uma casa noturna de Vitória por ser negra. “As principais provas do crime são os registros das conversas entre a vítima e o suspeito.
Duas semanas antes do seu aniversário, a jovem teria entrado em contato com o promoter. Ela tentou reservar uma mesa no local, mas não conseguiu. Segundo o suspeito, não havia mais disponibilidade de mesas. Desconfiada da justificativa, ela pediu para que outras amigas tentassem fazer o mesmo. Somente a de cor branca conseguiu efetuar a reserva”, explicou.
De acordo com o delegado, os responsáveis pelo estabelecimento justificam o fato com a questão do horário em que foram feitas as reservas. “Eles afirmam que as reservas são mutáveis. Muitos clientes acabam cancelando suas reservas, surgindo assim vagas. O que, segundo eles, teria ocorrido nesse caso”, destacou Andrade.
O caso foi denunciado por uma jovem negra que ficou revoltada por ter seu pedido de reserva negado pelo acusado. Ela pediu para que duas amigas entrassem em contato com o promoter e fizessem a mesma reserva. Segundo a vítima, apenas o pedido da amiga branca foi aceito.
O promoter foi ouvido pela polícia e negou as acusações. De acordo com o delegado responsável pelo caso, não há dúvidas de que trata-se de racismo. Ele foi indiciado pelo crime, que tem pena de 1 a 3 anos de prisão. Mas vai responder pelo crime em liberdade.