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Economia

Contribuição sindical gera revolta entre comerciários

Muitos trabalhadores do comércio no Estado, indignados com o desconto de 7% sobre seus salários, estão formando longas filas na sede do Sindicato dos ...

Comerciários estão revoltados com desconto automático de taxa

Última atualização

Comerciários estão revoltados com desconto automático de taxa (Foto: Antonio Moreira/AT - 29/11/2018)Muitos trabalhadores do comércio no Estado, indignados com o desconto de 7% sobre seus salários, estão formando longas filas na sede do Sindicato dos Comerciários do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES), que fica localizada no Centro de Vitória.

O valor cobrado foi batizado de “Contribuição Negocial” e está previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2018/2019 da categoria, assinada na última semana.

Trata-se de um desconto automático, que será divido em quatro parcelas. Porém, o trabalhador que não aceitar a retirada tem de ir pessoalmente ao sindicato, levando uma carta escrita de próprio punho pedindo o cancelamento do desconto.

O prazo final para entregar o pedido termina segunda-feira, segundo o diretor do Sindicomerciários-ES, Jakson Andrade.

A cobrança é para todos os cerca de 120 mil trabalhadores do Estado que são abrangidos pela convenção, independentemente se forem ou não filiados ao sindicato. Isso tem feito com que um grande número deles corram para evitar o desconto, formando longas filas no local, marcadas por insatisfação.

O promotor de vendas Gleydson Rodrigues Araújo disse que, além de ter de se ausentar do trabalho para ir até o local, ainda teve de escrever a carta de próprio punho.
“Isso é um grande absurdo, é fazer hora com a cara do trabalhador. Quando precisei do sindicato, não fui atendido”, reclamou.

Enquanto os trabalhadores aguardavam atendimento e falavam com a reportagem, funcionários do sindicato filmaram e tiraram fotos, dizendo que eles estavam “sendo marcados”.
Segundo Jakson, os 7% serão divididos em quatro parcelas: 2% este mês, 2% em dezembro, 2% em janeiro e 1% em fevereiro. E que a porcentagem foi aprovada em assembleia da categoria.

Sobre a fila, ele disse que o sindicato não tem muito o que fazer. “Temos oito pessoas do sindicato recebendo as cartas. Mas a única forma de não enfrentar a fila é contribuindo para o sindicato”.
Jakson afirmou que espera uma boa reflexão por parte dos trabalhadores da categoria e que eles percebam a importância de um sindicato forte. “A mesma convenção que estipula a contribuição, também prevê plano de saúde e odontológico, seguro de vida, auxílio-creche, quebra de caixa de 22% sobre o salário dos trabalhadores de supermercados”, ressaltou.

Revolta com a cobrança
A auxiliar de serviços gerais Deliane da Silva Rodrigues, a assistente comercial Carla Vitorino e a técnica em segurança do trabalho Juliana Vieira estavam na fila ontem, na sede do Sindicato dos Comerciários do Estado, para entregar as cartas desautorizando a cobrança de Contribuição Negocial de seus salários.

As trabalhadoras reclamaram da demora na fila e afirmaram não concordar com a cobrança automática do Sindicomerciários-ES.

“Como eles dão 4% de aumento e querem descontar 7% dos trabalhadores? É um absurdo”, desabafou Carla Vitorino.

Entenda:

Contribuição Negocial
É uma taxa de 7% sobre o salário dos trabalhadores do comércio capixaba que são abrangidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2018/2019, firmada na semana passada entre o Sindicato dos Comerciários do Estado (Sindicomerciários-ES) e a Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES).

A taxa é dividida em quatro parcelas: 2% este mês, 2% em dezembro, 2% em janeiro e 1% em fevereiro.

Longas filas
A cobrança da contribuição é automática. No entanto, caso o trabalhador não queria ter seu salário descontado, deve ir à sede do Sindicomerciários-ES, no Centro de Vitória, munido de uma carta, escrita à mão, desautorizando o desconto.

Como cerca de 120 mil trabalhadores são abrangidos pela CCT 2018/2019, e muitos não querem o desconto, foram formadas longas filas ontem. O prazo para entregar a carta é até segunda-feira.
Muitos comerciários reclamaram com a reportagem de A Tribuna sobre a situação. As principais queixas eram sobre o valor da taxa incidente sobre o salário; sobre a necessidade de locomoção até a sede do sindicato, somente para entregar a carta; e ao fato da exigência de o documento ser escrito à mão.

Sindicomerciários-ES
O Sindicomerciários-ES alegou que a alíquota de 7% da contribuição negocial foi decidida e votada em assembleia da categoria.

A entidade explicou que a cobrança é para todos os comerciários abrangidos pela CCT 2018/2019, já que não precisa ser filiado ao sindicato para receber os benefícios conquistados pela convenção.
Entre eles: planos de saúde e odontológico, seguro de vida e auxílio-creche e quebra de caixa de 22% sobre o salário de trabalhadores de supermercados.

O piso salarial da categoria, no Estado, é de R$ 1.107,70. Se fossem descontados 7% dos cerca de 120 mil trabalhadores, o sindicato arrecadaria, no mínimo, R$ 9,3 milhões.

Fonte: Sindicomerciários-ES e comerciários que estiveram na sede do sindicato na quinta-feira.
 

Confira reportagem completa no Jornal A Tribuna desta sexta-feira

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