
Filha de uma influente família de Santa Leopoldina, a futura “Bonequinha do Rádio” sempre afirmou em suas entrevistas ter nascido em Vitória, nossa capital. Como “ser da capital” dava maior status – o compositor Jair Amorim também omitia que nasceu em Santa Leopoldina – desconfio dessa afirmativa, tendendo a acreditar que essa grande artista capixaba tenha, na realidade, nascido em Santa Leopoldina, informação que eu nunca consegui confirmar. Mas Sylvinha Mello, a “bonequinha do rádio”, não precisou desse subterfúgio para se tornar uma das maiores cantoras de rádio do Brasil, quando dividiu o protagonismo da época com Carmem Miranda, Aracy de Almeida, Francisco Alves e Silvio Caldas. Viveu apenas a infância no Espírito Santo, pois sua família se mudou para o Rio de Janeiro, e já em 1931, aos 17 anos, cantava na Rádio Mayrink Veiga e gravava o seu primeiro disco. As faixas eram “O pequeno vendedor de amendoim” e “Chove, chuva”.
Experimentou também a sétima arte, e em 1935, fez sua estreia no cinema. O filme era “Estudantes”, onde interpretou com os Irmãos Tapajós a música “Ele ou eu?”. No elenco havia grandes nomes como Carmen Miranda, Aurora Miranda e Bando da Lua.
Apesar da carreira artística baseada no Rio de Janeiro, Sylvinha Mello marcou também o seu nome na história do rádio capixaba, vencendo o primeiro concurso de cantores de rádio no nosso estado, em 1940, na inauguração da pioneira Rádio Espírito Santo, em Vitória. Obteve 4.412 votos, ficando à frente até de Carmen Miranda e Francisco Alves. Antes que me corrijam, a Rádio Espírito Santo foi a primeira rádio oficial do nosso Estado, sucedendo um empreendimento privado anterior, a Rádio Clube do Espírito Santo, de 1933, cujo slogam era “A Voz de Canaã”, talvez uma homenagem inconsciente à origem de Sylvinha Mello, a região capixaba imortalizada por Graça Aranha.
No fim da década de 40, após mais algumas passagens pelo cinema e protagonizar vários shows no famoso Cassino da Urca, Sylvinha Mello foi viver nos Estados Unidos, onde passou dois anos, como estudante e funcionária do consulado brasileiro em Nova Iorque. Por lá realizou shows no Blue Angel e algumas boates, além cantar no rádio e de aparecer na televisão americana, interpretando músicas de Ary Barroso, sendo uma das primeiras artistas brasileiras a obter sucesso na América.
A vida amorosa foi discreta. Sabe-se que se casou com um diplomata francês nos anos 1960, deixando os Estados Unidos e indo morar na França e depois, África do Sul, iniciando uma nova fase de vida e da qual não se encontram muitas informações.
O que se sabe mesmo é que Sylvinha Mello foi uma das cantoras mais populares e amadas do rádio brasileiro. A sua morte, apesar da data exata ter sido uma informação difícil de conseguir, completará 40 anos no próximo dia 19 de maio. Vale a lembrança e a minha homenagem à “Bonequinha do Rádio”.
Adriano Lima Neves é administrador de empresas e escritor