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A bonequinha do rádio

Durante o centenário da independência do Brasil, em 1922, muitos festejos foram promovidos país afora. Um dos eventos de maior impacto foi a primeira ...

Adriano Lima Neves é administrador de empresas e escritor

Última atualização

Adriano Lima Neves é administrador de empresas e escritor (Foto: Acervo Pessoal)Durante o centenário da independência do Brasil, em 1922, muitos festejos foram promovidos país afora. Um dos eventos de maior impacto foi a primeira radiodifusão sonora no Brasil, no Rio de Janeiro. Oito anos antes, em 23 de fevereiro de 1914, nascia uma capixaba que iria se tornar uma das maiores cantoras desse novo veículo de comunicação.

Filha de uma influente família de Santa Leopoldina, a futura “Bonequinha do Rádio” sempre afirmou em suas entrevistas ter nascido em Vitória, nossa capital. Como “ser da capital” dava maior status – o compositor Jair Amorim também omitia que nasceu em Santa Leopoldina – desconfio dessa afirmativa, tendendo a acreditar que essa grande artista capixaba tenha, na realidade, nascido em Santa Leopoldina, informação que eu nunca consegui confirmar. Mas Sylvinha Mello, a “bonequinha do rádio”, não precisou desse subterfúgio para se tornar uma das maiores cantoras de rádio do Brasil, quando dividiu o protagonismo da época com Carmem Miranda, Aracy de Almeida, Francisco Alves e Silvio Caldas. Viveu apenas a infância no Espírito Santo, pois sua família se mudou para o Rio de Janeiro, e já em 1931, aos 17 anos, cantava na Rádio Mayrink Veiga e gravava o seu primeiro disco. As faixas eram “O pequeno vendedor de amendoim” e “Chove, chuva”.

Experimentou também a sétima arte, e em 1935, fez sua estreia no cinema. O filme era “Estudantes”, onde interpretou com os Irmãos Tapajós a música “Ele ou eu?”. No elenco havia grandes nomes como Carmen Miranda, Aurora Miranda e Bando da Lua.

Apesar da carreira artística baseada no Rio de Janeiro, Sylvinha Mello marcou também o seu nome na história do rádio capixaba, vencendo o primeiro concurso de cantores de rádio no nosso estado, em 1940, na inauguração da pioneira Rádio Espírito Santo, em Vitória. Obteve 4.412 votos, ficando à frente até de Carmen Miranda e Francisco Alves. Antes que me corrijam, a Rádio Espírito Santo foi a primeira rádio oficial do nosso Estado, sucedendo um empreendimento privado anterior, a Rádio Clube do Espírito Santo, de 1933, cujo slogam era “A Voz de Canaã”, talvez uma homenagem inconsciente à origem de Sylvinha Mello, a região capixaba imortalizada por Graça Aranha.

No fim da década de 40, após mais algumas passagens pelo cinema e protagonizar vários shows no famoso Cassino da Urca, Sylvinha Mello foi viver nos Estados Unidos, onde passou dois anos, como estudante e funcionária do consulado brasileiro em Nova Iorque. Por lá realizou shows no Blue Angel e algumas boates, além cantar no rádio e de aparecer na televisão americana, interpretando músicas de Ary Barroso, sendo uma das primeiras artistas brasileiras a obter sucesso na América.

A vida amorosa foi discreta. Sabe-se que se casou com um diplomata francês nos anos 1960, deixando os Estados Unidos e indo morar na França e depois, África do Sul, iniciando uma nova fase de vida e da qual não se encontram muitas informações.

O que se sabe mesmo é que Sylvinha Mello foi uma das cantoras mais populares e amadas do rádio brasileiro. A sua morte, apesar da data exata ter sido uma informação difícil de conseguir, completará 40 anos no próximo dia 19 de maio. Vale a lembrança e a minha homenagem à “Bonequinha do Rádio”.

Adriano Lima Neves é administrador de empresas e escritor

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