Cada vez mais jovens estão lotando os consultórios médicos com doenças do sexo e, segundo ginecologistas, diariamente são diagnosticadas doenças que poderiam ter sido evitadas. Para se ter uma ideia, em homens de 15 a 24 anos, a detecção de Aids quase triplicou entre 1985 e 2017.
De acordo com a ginecologista e obstetra Sâmara Mattar, antes o aparecimento de DSTs era mais comum entre pessoas de 20 a 40 anos, mas hoje já afeta um número crescente de adolescentes.
Ela ressalta que, no consultório, ao menos um caso de DST é diagnosticado por dia, ao passo que, em hospitais, essa média sobe: são cerca de três ou quatro atendimentos num plantão de 12 horas.
Sâmara explica que a maior parte das doenças é transmitida de forma silenciosa; muitas pessoas nem sabem que foram contaminadas.
Há doenças como clamídia, sífilis e HIV que são quase assintomáticas e, por isso, muitas vezes só são descobertas em consultas ou com exames específicos e podem causar problemas como infertilidade e câncer de colo de útero.
Existem ainda mulheres que só descobrem que são portadoras de determinada DST quando estão grávidas e realizam o pré-natal.
“Às vezes a mulher vem fazer o pré-natal e só aí descobre que tem uma série de doenças que podem ser transmitidas ao bebê”.
A infectologista Rubia Miossi conta que certas doenças, como gonorreia e sífilis, podem ser combatidas. “O tratamento é feito através de antibióticos, desde que a pessoa seja tratada no tempo certo e não se contamine novamente, pois isso torna o vírus mais resistente”, explica.
desleixo
O ginecologista e obstetra Paulo Batistuta pontua que o crescente contágio da população jovem por DSTs deriva, principalmente, do desleixo.
“Uma determinada camada da população não recebe educação, mas a maioria sabe que precisa usar camisinha e não usa.”
Ele pondera ainda que o uso de drogas sintéticas acaba fazendo com que a pessoa “perca o controle” e tenha relações sem proteção.