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Gabriela, a capitã que treina os salva-vidas

A capitã do Corpo de Bombeiros Gabriela Andrade, de 29 anos, está na linha de frente da formação daqueles que arriscam suas vidas para salvar outras. ...

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A capitã do Corpo de Bombeiros Gabriela Andrade, de 29 anos, está na linha de frente da formação daqueles que arriscam suas vidas para salvar outras. Há oito anos na corporação, ela é responsável pela formação de cerca de 1 mil salva-vidas que vão atuar nas praias de todo o Estado.

A reportagem de A Tribuna conversou com a capitã, que é coordenadora do Curso de Formação de Guarda-Vidas, no Comitê de Desenvolvimento de Atividades Aquáticas (CDAA) do Corpo de Bombeiros do Estado, sobre os desafios de se destacar em um ambiente ocupado predominante por homens.

É Gabriela a responsável pelo treinamento dos monitores que dão o curso de formação para os futuros salva-vidas. Chegar a este posto não foi uma tarefa fácil.

“Não foi fácil entrar nesse meio. Tive que me especializar e mostrar muito trabalho para ter essa conquista”, explicou a capitã.

Ela, que além de bombeiro também é surfista, disse que a decisão de entrar para a corporação veio depois de um salvamento que realizou enquanto surfava na praia de Setiba, em Guarapari.

“Teve um salvamento de um afogado antes de eu me tornar bombeiro, que foi o que mais marcou a minha vida e ele foi crucial para eu escolher essa profissão. Um dia surfando, me deparei com uma pessoa que estava se afogando e sendo jogada para as pedras. Eu consegui retirar a vítima da água e até hoje esse rapaz é grato por eu ter salvo a sua vida”, contou.

Além da coordenação do curso de formação, a capitã possui os cursos de guarda-vidas, instrutor de guarda-vidas, salvamento aquático, mergulho e o curso de resgate de embarcações.

“Tanta preparação e dedicação é com a intenção de sempre melhorar o serviço de prevenção e salvamento aquático no Estado, e acredito que a gente tem alcançado isso. Nós implantamos diversas inovações. Nosso lema é vidas alheias, riquezas a salvar”, disse.

Gabriela Andrade tem 29 anos e é coordenadora do Curso de  Formação de Guarda-Vidas, no Comitê de Desenvolvimento de Atividades Aquáticas (CDAA) do Corpo de Bombeiros do Estado (Foto: Beto Morais/AT)

“Sofri um pouco de preconceito”

A Tribuna – Como é a sua função dentro do Corpo de Bombeiros e o que você fez para chegar até este posto?
Gabriela Andrade – Eu treino os monitores que vão ministrar o curso para os guarda-vidas. Entrei na corporação em 2010 e fiquei três anos em formação. Sempre me identifiquei com esportes aquáticos, então eu busquei me especializar, fazendo vários cursos para trabalhar na área.

Por ser mulher, você passou por algum tipo de preconceito?
Não foi fácil entrar nesse meio, porque é predominantemente composto por homens, então entrar em um ambiente desse não foi fácil. No início, eu sofri um pouco de preconceito e tive muita dúvida em relação à minha competência e capacidade. Mas com muito trabalho e dedicação fui aos pouquinhos conquistando o meu espaço, fui trabalhando e mostrando que eu tinha capacidade de estar à frente de um curso de guarda-vidas e, aos poucos, na frente de um curso de instrutor de guarda-vidas.

Quais melhorias o curso de formação tem hoje?
A intenção sempre foi a de melhorar o curso, que agora passou a ter também a parte de piscina, resgate e inundações e, ainda, enchentes, para que os guarda-vidas estejam cada vez mais capacitados para poder atuar em diversas situações.

Teve algum salvamento que te marcou?
Durante o curso de treinamento aquático que eu fiz em São Paulo, pegamos uma vítima submersa e eu precisei realizar nela o RCP (Reanimação Cardio Pulmonar). A pessoa já estava com parada cardíaca e respiratória. O afogamento tinha acabado de acontecer e ela estava sem pulso e sem respiração. Conseguimos trazer essa pessoa de volta, a ter uma possibilidade de vida, e isso é inesquecível.

Podemos dizer que os salvavidas são um pouco anjos da guarda?
Acho que todos os salva-vidas e bombeiros têm um pouco da missão de anjos, por estarem sempre dispostos a arriscar a própria vida. É uma profissão extremamente arriscada. No meu caso sou bombeiro e guarda-vida, são profissões que colocam a gente muito em risco em prol da vida alheia. Não é à toa que nosso lema é “Vidas alheias, riquezas a salvar”.

 

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