
Em resposta a questões apresentadas pela mídia, a polícia divulgou um comunicado informando que havia voltado a investigar o caso, depois de a vítima prestar novas informações, embora não tivesse revelado o nome da mulher envolvida ou o de qualquer suspeito.
Kathryn abriu um processo contra Cristiano, na última quinta-feira, no condado de Clark, Nevada. Ela disse que recebeu US$ 375 mil do jogador para retirar suas queixas, e que havia assinado um acordo de confidencialidade.
Kathryn contou que o ataque ocorreu na manhã de 13 de junho de 2009, em uma suíte no Palms Place Hotel. Ronaldo, que estava em meio a uma transferência milionária do Manchester United para o Real Madrid, conheceu Kathryn em uma casa noturna em Las Vegas e convidou ela e outras pessoas, para visitar sua suíte.
De acordo com a petição judicial de Kathryn, ela denunciou o ataque à polícia mais tarde no mesmo dia, e recebeu um exame médico durante o qual foram recolhidas provas, um procedimento ocasionalmente descrito como um “kit de estupro”.
Uma porta-voz da polícia de Las Vegas confirmou que Kathryn havia apresentado uma queixa em 13 de julho de 2009 e que havia passado pelo exame, mas disse que ela não revelou o nome da pessoa acusada. O caso foi reaberto a pedido da vítima no mês passado.
Em transmissão ao vivo no Instagram, o jogador classificou as acusações como “fake news”, nega as acusações e diz que o sexo foi consensual, mas, segundo o Der Spieguel, ele teria assinado um acordo extra-judicial com Kathryn. Em troca de € 375 mil (cerca de R$ 1,8 milhão), a americana não poderia entrar na Justiça contra o astro, além de jamais poder falar publicamente sobre o assunto. Agora, o advogado de Kathryn Mayorga, 34, entrou com um pedido para anular o acordo.
Em comunicado, Christian Schertz, advogado de Ronaldo, ameaçou Der Spiegel e qualquer organização noticiosa que reproduza suas reportagens, mencionando a privacidade do jogador.
“A reportagem de Der Spiegel é gritantemente ilegal. Viola os direitos pessoais de nosso cliente Cristiano Ronaldo de maneira excepcionalmente séria. É uma reportagem inadmissível de suspeitas na área de privacidade. Seria portanto ilegal reproduzir essa reportagem. Fomos instruídos a afirmar imediatamente todas as reivindicações sob a lei de imprensa, contra a Spiegel, especialmente reivindicações por danos morais em quantia correspondente à gravidade da violação, que é provavelmente uma das violações de direitos pessoais mais graves dos últimos anos”.
Em 2017, a Der Spiegel noticiou a existência do acordo entre ela e Ronaldo já havia noticiado a acusação de estupro e a existência do acordo entre ela e Ronaldo, com base em documentos obtidos no vazamento de informações conhecido como Football Leaks, um site semelhante ao WikiLeaks que já divulgou publicamente dezenas de documentos confidenciais relacionados ao esporte. Na ocasião, no entanto, eles não haviam falado com a vítima
A revista tentou fazer contato com Kathryn várias vezes antes da publicação, mas ela se recusou a falar. Na época, a agência de Ronaldo descreveu a reportagem como “ficção jornalística” e ameaçou processar a revista.
Na sexta-feira (28), a Der Spiegel publicou novo artigo, desta vez com participação de Kathryn e com provas documentais adicionais. Ela disse a Der Spiegel que havia decidido violar o acordo de confidencialidade porque os novos advogados que contratou não acreditavam que fosse válido. A americana disse também, ter sido inspirada pelo movimento #MeToo.
Os documentos adicionais obtidos pela Der Spiegel incluem o relatório sobre o exame médico da vítima e correspondência entre os advogados de Ronaldo. O relatório informa que Kathryn foi tratada por duas horas no hospital e que seus ferimentos foram fotografados.
A correspondência entre os advogados de Ronaldo inclui um questionário e respostas submetidas por ele, seu cunhado e seu primo, que o acompanhavam na noite em questão.
De acordo com a Der Spiegel, havia múltiplas versões das respostas ao questionário. Em uma das versões, Ronaldo afirma que Kathryn disse “não” e “pare” diversas vezes, e que “ela disse que não queria, mas se ofereceu mesmo assim”. Essas respostas não constam de versões posteriores do questionário.
O advogado de Kathryn, Leslie Mark Stovall, mencionou a queixa de sua cliente, provas físicas sobre o ataque, o questionário e o acordo entre ela e o jogador como provas de que as afirmações da americana não eram “notícias falsas”.
Ele também prometeu que “divulgaria como ‘Abafadores’ encobrem e facilitam ataques sexuais pelos ricos e famosos”.
