Após nove dias de articulações com partidos para tentar viabilizar sua pré-candidatura ao governo, o vice-governador César Colnago (PSDB) desistiu da empreitada e entregou o controle das negociações para o senador Ricardo Ferraço – conforme antecipado pela coluna na manhã de hoje (20). Colnago afirmou que não houve consenso com o bloco dos 10 partidos aliados e a decisão foi tomada após as lideranças não aceitarem assinar um documento de compromisso de permanecer no grupo.
“Após quase 10 horas de reunião, cheguei com um documento para que os partidos assinassem, era um documento de compromisso e quem assinasse não poderia mais sair, para fechar questão. Mas aí, não quiseram assinar. Eu estava indo para o risco, parei minha campanha de deputado federal. Mas eles não toparam, então eu disse: ‘ Se os coronéis estão inseguros com suas tropas, é melhor não ir para a guerra’. E retirei meu nome”, afirmou Colnago.
Ele disse que as articulações começaram na quarta-feira passada (11), um dia após o governador ter anunciado à imprensa que não disputaria a reeleição. “Comecei a articulação com os partidos, fazendo duas pernas para as coligações a federal e daria para fazer dois federais cada. Foram muitas conversas com o Ricardo (Ferraço, senador), com o MDB e com os partidos. Claro, não tem aliança ideal, tem aliança possível”, disse Colnago, que evitou falar quais siglas que não toparam assinar a carta de compromisso.
O vice-governador disse que a prioridade dele agora é a candidatura de Geraldo Alckmim à Presidência, a de Ricardo Ferraço ao Senado e proteger a chapa de deputado estadual. Disse que é pré-candidato a deputado federal, mas que precisa de alianças para se viabilizar.
Questionado sobre qual será a postura do PSDB e se poderá se aliar ao ex-governador Renato Casagrande, Colnago garantiu que o partido vai assumir um lado. “Neutro o PSDB não vai ficar. O Ricardo, por ser senador, está avaliando o que melhor fazer, mas a decisão é do partido na convenção. Como eu saí da condição de majoritária, ele assume agora e vai tentar ver onde melhor ele se encaixa e se viabiliza”.
Sobre o rumo dos partidos aliados, disse que cada um está conversando e decidindo o que for melhor. “É possível que fiquemos juntos com o MDB ou talvez, não. Alguns estão conversando com a Rose (de Freitas, senadora), outros com o Renato (Casagrande), isso é normal. O Ricardo tem conversado com o Renato, mas tudo vai ser decidido na convenção”.
Ainda na quinta-feira, Colnago disse ter entrado em contato com o governador Paulo Hartung sobre sua desistência. “Falei com ele que a coisa estava desandando e que não fecharia em torno do meu nome. Ele só disse: ‘ok’”.
“Eu cumpri meu papel. Todos viram meu esforço de tentar fechar o grupo em torno de um conceito, de um programa, do compromisso com a democracia. Queria levar o legado de um estado que renovou em políticas públicas. Mas não deu. Foram nove dias tentando, fui além do que deveria ir, eu arrisquei, porque tanto poderia dar errado como poderia dar certo, me chamaram até de herói por ter tentado tanto”, afirmou Colnago. Questionado se sai do processo com mágoas, o tucano disse que não. “Não adianta ficar zangado ou apegado à raiva. É da vida. Bola pra frente”.
