Lá se vão dois anos desde a madrugada em que os moradores do Grand Parc Residencial, na Enseada do Suá, em Vitória, acordaram assustados e tiveram de deixar seus apartamentos por conta do desabamento da área de lazer do condomínio.
Sem poder voltar para casa, já que todo o edifício permanece interditado, eles aguardam pelo retorno ao lar enquanto moram em locais pagos pela construtora.
Alguns ainda sofrem com a lembrança do dia 20 de julho de 2016. Mas a dor é maior para a família do porteiro Dejair das Neves, 47 anos, que morreu soterrado quando a portaria e a área de lazer do empreendimento de luxo vieram abaixo.
“É muito difícil de aceitar. Ele faz muita falta, pois ninguém esperava perdê-lo tão cedo e de forma tão trágica”, disse o irmão de Dejair, o açougueiro Jurandir das Neves, 38 anos.
Dejair trabalhava no condomínio havia um ano e estava na portaria dos carros antes do desabamento. O corpo dele só foi encontrado no fim da tarde, na garagem onde 300 carros foram atingidos.
O inquérito da Polícia Civil que investiga as causas e a responsabilidade pela morte já foi concluído e encaminhado à Justiça. No entanto, o Ministério Público requisitou outras diligências. Com isso, a polícia só vai se manifestar após a conclusão das investigações.
Um laudo feito por um perito criminal da Polícia Civil apontou condições estruturais precárias e fora do padrão técnico mínimo para construções do porte.
O documento, que não foi divulgado oficialmente, indica que o colapso da laje do pavimento de uso comum foi causado por suas condições estruturais precárias.
O desabamento aconteceu por volta das 3 horas. O pastor João Brito, 69 anos, conta que estava acordado e ouviu diversos estalos, como se várias portas estivessem sendo batidas.
“Achei que fosse no meu apartamento, então levantei para ver o que era. Como não encontrei nada, voltei a me deitar, mas foi quando ouvi o estrondo grande. Quando olhei pela janela, a fumaça de poeira estava subindo”, relembrou.
Brito ficou um mês morando em um hotel e posteriormente se mudou em definitivo, após comprar outra casa. Apesar disso, ele espera voltar a morar no Grand Parc: “Aguardo ansioso”.
Volta prevista para julho de 2019
Os moradores do Grand Parc Residencial devem começar a voltar a seus apartamentos em julho de 2019, quando o desabamento completa três anos. As obras tiveram início em junho do ano passado e será concluída assim que toda a área externa for reconstruída.
A previsão é de que o projeto original permaneça, mas ganhe algumas adaptações e a estrutura seja reforçada.
“O andamento de todo o processo de revitalização acontece dentro do cronograma, sendo acompanhado pelo comitê gestor que representa os moradores”, informou, em nota, a construtora Cyrela.
Porta-voz da comissão de gestão, José Gama de Christo, confirmou que as obras estão evoluindo.
“Estamos otimistas com o nosso retorno aos apartamentos. A maioria dos moradores quer voltar e não temos dúvida de que o prédio vai ficar mais seguro. Estamos bem tranquilos”, disse.
Além de reconstruir a área, a Cyrela indenizou 96% dos moradores que aceitaram o acordo, gastando R$ 130 milhões. De acordo com Christo, a indenização começou a ser quitada no ano passado.
